Uma comitiva formada por deputados distritais e federais reuniu-se, na manhã desta quarta-feira (20), com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir o agravamento da crise financeira envolvendo o Banco de Brasília. Durante o encontro, os parlamentares criticaram a postura do Governo do Distrito Federal (GDF), acusando a gestão local de adotar medidas paliativas e evitar enfrentar de forma definitiva os problemas da instituição.
Segundo os deputados presentes, o cenário atual do banco preocupa não apenas pela fragilidade financeira, mas também pelos impactos diretos sobre serviços públicos e pela ausência de transparência na condução da crise.
Críticas à condução do GDF
O deputado distrital Fábio Félix afirmou que o governo local estaria “empurrando com a barriga” a situação do banco, sem apresentar soluções estruturais.
De acordo com ele, as iniciativas anunciadas até agora possuem caráter meramente protelatório e não demonstram disposição concreta para resolver os problemas financeiros da instituição.
A deputada federal Erika Kokay também criticou a atuação do Executivo local. Para ela, há uma tentativa do GDF de transferir responsabilidades para o governo federal e para os órgãos reguladores, enquanto a administração distrital evita assumir protagonismo na resolução da crise.
Impactos no transporte público
Entre os principais pontos debatidos na reunião esteve a situação dos repasses financeiros ligados ao sistema de transporte público do Distrito Federal.
O deputado distrital Max Maciel relatou que o BRB não estaria efetuando regularmente os repasses tarifários conhecidos como “D1” às empresas de ônibus desde a segunda quinzena de março. Segundo ele, a situação compromete diretamente a operação do sistema, afetando a compra de diesel e o funcionamento das linhas.
Os parlamentares alertaram que o agravamento da crise do banco pode gerar reflexos ainda mais severos em áreas estratégicas financiadas ou operacionalizadas pela instituição.
Cobrança por transparência
Outro tema levantado durante o encontro foi o atraso na divulgação do balanço financeiro do banco, situação que já teria resultado em sanções aplicadas pelo Banco Central.
Os deputados cobraram maior transparência sobre a real situação financeira da instituição e defenderam a divulgação imediata de informações relacionadas ao caixa, às operações financeiras e aos riscos enfrentados pelo banco.
Para os parlamentares, a população do Distrito Federal precisa ter acesso claro aos dados envolvendo um patrimônio público considerado estratégico para a economia local e para a execução de políticas públicas.
Defesa de investigação e responsabilização
A deputada federal Fernanda Melchionna defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso. Segundo ela, é necessário garantir celeridade nas apurações e responsabilizar eventuais envolvidos em irregularidades sem comprometer a continuidade do banco público.
Os parlamentares defenderam que possíveis práticas irregulares sejam investigadas com rigor, preservando, porém, a existência do BRB como instituição pública estratégica para o Distrito Federal.
Apesar de avaliarem que o presidente do Banco Central demonstrou abertura para ouvir as demandas apresentadas, os deputados alertaram que a demora do GDF em tomar medidas concretas pode aprofundar ainda mais a crise e comprometer o futuro da instituição.




















