A mobilização dos docentes da Universidade de Brasília (UnB) ganhou novos contornos nesta semana após professores identificarem descontos considerados inesperados em seus contracheques. A reação da categoria ocorre em meio à aplicação da chamada absorção integral (100%) dos acréscimos remuneratórios da Unidade de Referência de Preços (URP), medida implementada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Segundo a Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), além da redução nos vencimentos atuais, a decisão também prevê cobrança retroativa referente à folha de abril, ampliando a insatisfação entre professores ativos e aposentados.
Diante do cenário, a entidade convocou uma Reunião Extraordinária Ampliada do Conselho de Representantes para esta quinta-feira (21), às 16h, com o objetivo de definir os próximos passos da mobilização e preparar a categoria para a Assembleia Geral marcada para o próximo dia 25 de maio. Entre as possibilidades em debate estão a intensificação da pressão política, atos públicos e novas deliberações sobre paralisações.
O secretário-geral da ADUnB, Pedro Gontijo, afirmou que os docentes foram surpreendidos pela implementação da medida e defendeu a necessidade de unidade da categoria. Segundo ele, a mobilização busca garantir a defesa dos direitos remuneratórios e preservar as condições de valorização da carreira docente.
Além da mobilização interna, a associação também articula uma frente institucional e jurídica para tentar reverter os descontos. A entidade busca interlocução junto à Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente por meio da Secretaria de Serviços Jurídicos Consultivos e de Assuntos Federativos (Secaf), após reuniões realizadas com representantes do Ministério da Educação (MEC) e do próprio MGI.
A reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, manifestou apoio aos docentes e informou que a universidade tenta minimizar os impactos da medida. De acordo com a administração superior, a instituição havia evitado lançar progressões e promoções funcionais justamente para impedir que esses ganhos fossem absorvidos pela nova sistemática aplicada pelo governo federal.
Apesar disso, a implementação automática da absorção integral no sistema federal, ocorrida no último domingo (17), acabou atingindo parte significativa da categoria. A universidade informou que conseguiu efetuar lançamentos para reverter parcialmente os descontos em aproximadamente 52% dos casos de docentes ativos e aposentados, totalizando 1.855 registros processados antes do fechamento da folha.
Para os demais professores atingidos, o Decanato de Gestão de Pessoas (DGP) informou que as correções deverão ser feitas na próxima folha salarial, com previsão de pagamento retroativo.
O episódio elevou a tensão entre os docentes e o governo federal, ampliando o debate sobre valorização das carreiras nas universidades públicas. A expectativa da categoria agora se concentra nas próximas assembleias e nas negociações políticas que poderão definir os rumos do movimento nos próximos dias.




















