A gestão do prefeito Abilio Brunini homologou um contrato que pode chegar a R$ 9.689.990,14 para a compra de materiais de copa, cozinha e limpeza, incluindo itens básicos como café e açúcar, utilizados diariamente nas repartições públicas do município. A ata refere-se ao Lote 01 do Pregão Eletrônico SRP nº 027/2025, publicada oficialmente em 12 de dezembro de 2025.
Embora o modelo de Sistema de Registro de Preços (SRP) não obrigue a execução imediata do valor total — funcionando como uma “reserva” para compras futuras conforme a demanda — o montante global causa indignação e desconfiança em parte da população. Em um município que enfrenta problemas crônicos na saúde, na infraestrutura urbana e na prestação de serviços essenciais, a cifra milionária destinada a insumos rotineiros soa, no mínimo, desproporcional.
O ponto central da crítica não é apenas o uso do SRP, instrumento comum na administração pública, mas a falta de transparência detalhada. A Prefeitura não divulgou a discriminação dos valores por item, o que impede o cidadão de compreender quanto será gasto, por exemplo, especificamente com café, açúcar, produtos de limpeza ou utensílios de cozinha.
Essa ausência de detalhamento alimenta a percepção popular de que o município estaria destinando milhões ao “cafezinho da máquina pública”, enquanto postos de saúde sofrem com falta de insumos, ruas permanecem esburacadas e obras estruturantes seguem em ritmo lento ou paralisadas.
Nas redes sociais, moradores questionam a prioridade orçamentária da gestão municipal e se, no planejamento para 2026, faz sentido reservar quase R$ 10 milhões para suprimentos administrativos básicos, ao mesmo tempo em que secretarias essenciais disputam remanejamentos e suplementações para atender demandas urgentes da população.
Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá não se manifestou sobre a composição detalhada do contrato nem apresentou estimativas de consumo que justifiquem o valor global da ata. O documento foi assinado pelo secretário adjunto de Gestão, Jairo Pereira Rocha, vinculado à Secretaria Municipal de Economia.
Em tempos de cobrança por austeridade, eficiência e responsabilidade fiscal, contratos dessa magnitude exigem explicações claras, números abertos e justificativas técnicas sólidas. Sem isso, o que fica é a sensação de que o peso da conta recai novamente sobre o contribuinte — que paga caro até pelo café servido nos corredores do poder público.























