Colapso anunciado

Colapso anunciado: governo Ibaneis deixa Hospital da Criança à beira do caos por falta de repasses

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O fechamento de 89 leitos no Hospital da Criança de Brasília José Alencar escancara mais um capítulo da grave crise de gestão da saúde pública no Distrito Federal sob o governo Ibaneis Rocha (MDB). A unidade, referência no atendimento pediátrico de alta complexidade, teve sua capacidade severamente reduzida não por falta de profissionais ou demanda, mas por omissão financeira do próprio governo.

Dos 212 leitos existentes, 24 de UTI pediátrica e 65 de internação estão temporariamente bloqueados. O impacto é direto e cruel: menos vagas para crianças gravemente doentes, maior pressão sobre a rede pública e risco real de agravamento de quadros clínicos que dependem de atendimento especializado e contínuo.

A situação se deteriorou rapidamente. Em 17 de dezembro, dez leitos de UTI foram fechados. Menos de duas semanas depois, outros 14 quartos precisaram ser bloqueados. Tudo isso enquanto o governo do DF acumulava uma dívida milionária com a instituição.

Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o rombo financeiro ultrapassa R$ 118 milhões. A Secretaria de Saúde deixou de repassar R$ 79,5 milhões apenas entre outubro e dezembro de 2025, somados a uma dívida anterior de R$ 38,6 milhões. Até o momento, somente R$ 10,8 milhões foram pagos — valor irrisório diante da dimensão do débito e da urgência da situação.

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É importante frisar: o Hospital da Criança não é uma unidade qualquer. Trata-se de um centro essencial para o atendimento de crianças com câncer, doenças raras e casos de alta complexidade. Ainda assim, o governo Ibaneis permitiu que a crise chegasse a um ponto tão extremo que o Ministério Público precisou acionar a Justiça.

Somente após a intervenção judicial, o Tribunal de Justiça do DF determinou, nesta segunda-feira (5/1), que o governo realize o repasse de R$ 69 milhões em até 48 horas. A promessa da Secretaria de Saúde de pagar R$ 15 milhões “ainda hoje” e regularizar os repasses ao longo de janeiro soa tardia e insuficiente diante do estrago já causado.

O episódio expõe uma gestão que reage apenas sob pressão judicial, enquanto crianças pagam o preço da ineficiência administrativa. Não se trata de um imprevisto, mas de um colapso anunciado, fruto de atrasos recorrentes, falta de planejamento e desrespeito com contratos firmados pelo próprio governo.

Em um Distrito Federal que frequentemente se gaba de arrecadação robusta, é inaceitável que um hospital pediátrico de referência seja empurrado para a asfixia financeira. A crise no Hospital da Criança não é apenas um problema administrativo: é um fracasso político e moral que recai diretamente sobre o governo Ibaneis Rocha.

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Enquanto discursos oficiais tentam minimizar o impacto, os números falam por si — e os leitos fechados também.

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