PONTA DO ICBERG

Licitação de publicidade da ALE/RO emperra há dois anos e levanta suspeitas de direcionamento

Deputado estadual Alex Redano (Republicanos)

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Mesmo sob questionamentos jurídicos, processo avança e PEN6 obtém maior nota técnica

A Concorrência Pública nº 001/2024, destinada à contratação de uma agência de propaganda para cuidar da publicidade institucional da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE/RO), tornou-se um caso emblemático de lentidão, desconfiança e controvérsia administrativa. Iniciado ainda em 2024, o certame atravessou dois anos sem conclusão e voltou a avançar em 2026 sob uma nuvem espessa de questionamentos.

Na sessão realizada em 21 de janeiro de 2026, a Comissão Especial de Licitação (CEL) divulgou o resultado técnico consolidado da avaliação dos planos de comunicação. O desfecho, longe de encerrar o debate, acentuou críticas e alimentou suspeitas antigas.

Resultado técnico amplia controvérsia

De acordo com as pontuações divulgadas, a empresa PEN6 Ltda obteve a maior nota técnica, com 92,69 pontos, enquanto a Z3 Publicidade e Propaganda Ltda alcançou 76,96 pontos.

Pontuação geral:

  • PEN6 Ltda
    Total Geral: 278,08 pontos
    Pontuação Final: 92,69

  • Z3 Publicidade e Propaganda Ltda
    Total Geral: 230,88 pontos
    Pontuação Final: 76,96

Com isso, a PEN6 foi classificada em primeiro lugar. O resultado, no entanto, não passou incólume.

Recurso, pedidos de transparência e tentativa de suspensão de prazos

Imediatamente após a divulgação das notas, o representante da Z3 manifestou discordância formal e requereu a abertura do prazo recursal, conforme prevê o artigo 165, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 14.133/2021.

A Comissão deliberou:

  • Prazo de 3 dias úteis para apresentação de recurso pela Z3;

  • Intimação da PEN6 para apresentar contrarrazões por igual período;

  • Garantia de vista integral aos autos.

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Paralelamente, a Z3 protocolou um pedido amplo de acesso à documentação, incluindo:

  • Cópias integrais dos invólucros nº 1, 2 e 3 de todas as licitantes;

  • As planilhas de pontuação individuais de cada membro da Subcomissão Técnica, com justificativas;

  • Cópia integral do processo administrativo;

  • Suspensão do prazo recursal até a efetiva entrega das cópias.

O movimento escancara um ponto sensível: a falta de transparência percebida por parte dos participantes, num processo que envolve recursos públicos e comunicação institucional.

Um processo marcado por desconfiança desde a origem

Críticos do certame afirmam que esta já é considerada uma das licitações mais suspeitas da história recente da ALE/RO. Desde a publicação do edital, circula nos bastidores a percepção de que o resultado estaria previamente definido, com a PEN6 como vencedora anunciada antes mesmo da análise técnica.

A divulgação das notas, longe de dissipar dúvidas, reforçou o escrutínio público. Especialistas em direito administrativo alertam que a condução do processo, especialmente diante de questionamentos judiciais pendentes, pode manter aberta a via de contestação no Judiciário e nos órgãos de controle.

Celeridade seletiva e críticas à Presidência da Casa

Outro ponto que causa estranheza é a celeridade repentina com que o procedimento avançou após anos de arrasto burocrático. Há questionamentos sobre o prosseguimento do certame antes do esgotamento de prazos de apreciação judicial, o que pode comprometer a segurança jurídica do processo.

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Nesse contexto, a atuação da Presidência da Assembleia Legislativa, comandada pelo deputado estadual Alex Redano (Republicanos), passou a ser alvo de críticas quanto à condução do cronograma e ao ritmo adotado em fases decisivas da licitação. Embora não haja, até o momento, decisão judicial que invalide o procedimento, o desgaste político e institucional é evidente.

O que ainda pode acontecer

Mesmo com o avanço do processo, a legislação é clara ao prever que, até a assinatura do contrato, ainda são possíveis:

  • Anulação do certame, em caso de ilegalidade;

  • Revogação, por interesse público superveniente;

  • Atuação do Tribunal de Contas e do Ministério Público;

  • Judicialização, inclusive a partir do resultado do recurso administrativo.

Sessão encerrada, debate aberto

A sessão foi encerrada às 12h40, no Plenarinho da ALE/RO, com a presença do advogado da Casa, Dr. Arthur Ferreira Veiga. A ata foi assinada pelos membros da Comissão Especial de Licitação — Everton José dos Santos Filho (presidente), Alexandre Freitag Oliveira e Júlio Sérgio de Poneida — além dos representantes das licitantes.

O processo segue formalmente em andamento. Politicamente e juridicamente, porém, está longe de um ponto final.

Na administração pública, quando um processo se arrasta por anos e, de repente, corre depressa demais, o tempo deixa de ser detalhe e passa a ser indício. E, neste caso, o relógio da ALE/RO parece cobrar explicações que ainda não vieram.

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