Abertura do ano legislativo ocorre sob pressão por ajuste fiscal, suspeitas envolvendo o BRB e críticas às prioridades orçamentárias do governo do DF
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) retoma os trabalhos nesta terça-feira (3/2) em um cenário de forte tensão política e fiscal. O governo Ibaneis Rocha (MDB) enfrenta críticas crescentes após admitir dificuldades para sustentar as contas públicas, especialmente na área da saúde, em meio à crise que atinge o Banco de Brasília (BRB).
A oposição e especialistas apontam que o desequilíbrio financeiro é resultado de escolhas orçamentárias equivocadas, que agora pressionam serviços essenciais e colocam em xeque a gestão do banco público.
CLDF cobra controle e transparência
Diante do alerta fiscal, a CLDF afirma que terá papel central em qualquer mudança no orçamento de 2026. O presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), declarou que o Legislativo precisa ser ouvido para evitar impactos diretos à população.
Entre as medidas já adotadas está a aprovação de uma emenda que obriga o BRB a prestar contas anualmente à Câmara, reação direta às suspeitas envolvendo a gestão da instituição financeira. Ao mesmo tempo, o Legislativo também sente os efeitos da crise, com o governo sinalizando suspensão de pagamentos como a conversão de licença-prêmio em dinheiro, o que afeta a autonomia da CLDF e de órgãos como o TCDF.
BRB e o “efeito Master”
A instabilidade no BRB, ligada ao chamado caso Master-BRB, intensificou o embate político. Parlamentares denunciam que, enquanto o governo alega falta de recursos para áreas básicas, admite a possibilidade de aporte de dinheiro público para cobrir prejuízos no banco.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o aperto fiscal e o contingenciamento de despesas são reflexos diretos dessa crise, que pode exigir socorro do Tesouro local. O cenário levou a pedidos de impeachment contra Ibaneis e a tentativas de criação de uma CPI para investigar a relação entre o BRB e o Banco Master.
Cortes na saúde e renúncias fiscais
As críticas se intensificam diante do contraste entre os cortes sociais e o volume de benefícios fiscais. O orçamento da saúde para 2026 prevê redução real estimada em R$ 3,9 bilhões, enquanto as renúncias fiscais podem alcançar R$ 10,2 bilhões no mesmo período.
Enquanto unidades de saúde enfrentam atrasos de repasses e suspensão de atendimentos, opositores classificam as isenções como uma “bolsa empresário”, afirmando que os incentivos superam o orçamento total da saúde do DF.
Arrecadação em alta, crise em debate
O discurso oficial de frustração de receita também é contestado. A Associação dos Auditores Fiscais da Receita do DF afirma que a arrecadação segue em crescimento, com alta real registrada em 2025, impulsionada pelo aumento do ICMS.
Para a oposição, os dados reforçam que a crise não decorre da falta de arrecadação, mas de prioridades mal definidas, que colocam em risco serviços essenciais e geram instabilidade em instituições estratégicas como o BRB.





















