retaliação política

Ibaneis exonera mais três indicados como retaliação política após votação do projeto do BRB

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Retaliações no Diário Oficial expõem uso político de cargos públicos após votação bilionária para socorro ao BRB

A política do Distrito Federal voltou a escancarar um dos seus traços mais arcaicos: o uso da máquina pública como instrumento de punição e controle. Após a votação do polêmico Projeto de Lei nº 2.175/2026, que permite o Banco de Brasília (Banco de Brasília) contrair até R$ 6,6 bilhões em empréstimos, o governador Ibaneis Rocha (MDB) partiu para uma ofensiva contra deputados distritais que ousaram contrariar sua vontade.

Em um movimento que remete a práticas clientelistas e patrimonialistas, Ibaneis exonerou uma série de servidores comissionados indicados por parlamentares da sua própria base que votaram contra o projeto, aprovado com 14 votos a favor e 10 contrários na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Demissões como “resposta”

A retaliação começou na noite da própria votação, terça-feira (3/3), com a publicação no Diário Oficial das exonerações de aliados dos deputados Thiago Manzoni (PL) e Rogério Morro da Cruz (PRD). Ato contínuo, nesta quarta-feira (4/3), uma edição extra do DODF oficializou novas demissões, desta vez mirando o deputado João Cardoso (Avante). Entre os atingidos:

  • Paulo Izidoro da Silva, administrador regional de Sobradinho;
  • Diego Rodrigues Matos, administrador regional de Sobradinho II;
  • Marco Aurélio de Souza, chefe de gabinete da mesma administração.
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Os nomes sequer tiveram tempo de se defender publicamente ou apresentar justificativas técnicas que sustentassem sua permanência. Foram tratados como peças substituíveis em um jogo de poder que nada tem a ver com meritocracia ou interesse público.

Governo transforma fidelidade em moeda

Ao invés de respeitar o voto divergente como parte da lógica democrática e da independência entre os poderes, Ibaneis opta por transformar cargos públicos em moeda de chantagem e submissão. As demissões não são técnicas. São políticas. São um recado claro, quem não for leal ao projeto do governador perde espaço, perde estrutura, perde poder.

É a reafirmação de um modelo onde o servidor comissionado não serve à população, mas ao deputado e este, por sua vez, deve lealdade não ao eleitor, mas ao governador.

BRB: transparência ainda sob questionamento

O pano de fundo dessa crise é o projeto de socorro ao BRB, que autoriza a busca de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos, valor que, na prática, sinaliza o tamanho do suposto rombo financeiro no banco. A proposta, apesar de aprovada, foi cercada de pressões e teve que incorporar 13 emendas que buscam assegurar transparência, proteção ao patrimônio público e regras para venda de subsidiárias.

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Mesmo com essas garantias no papel, o gesto autoritário do governo Ibaneis mina qualquer discurso de boa governança. Afinal, que compromisso real com a transparência pode ter um governo que reprime com mão de ferro qualquer dissenso?

O que está em jogo

O episódio mostra que, para Ibaneis, o apoio político não é conquistado com diálogo, argumentos ou compromisso com o interesse público, mas com cargos e ameaças. O uso de exonerações como ferramenta de punição explicita um modelo de gestão que vê o Estado como propriedade pessoal, e não como estrutura pública a serviço da sociedade.

Enquanto isso, o BRB tenta sobreviver à crise, mas a instabilidade política e o clima de medo que se instaura no Buriti apenas aprofundam as dúvidas sobre o futuro do banco e do próprio Distrito Federal.

 

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