O primeiro escalão do governo federal deve passar por mudanças nos próximos dias por causa das eleições, mas o Mato Grosso do Sul continuará representado na Esplanada dos Ministérios. Enquanto a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, deixará o cargo para disputar o Senado, o advogado indígena Eloy Terena assumirá o Ministério dos Povos Indígenas.
Simone informou que deve deixar o governo até 30 de março para concorrer ao Senado por São Paulo, agora pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), encerrando um ciclo de 29 anos de trajetória no Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Já a atual ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, também deixará o cargo para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral. Ela pretende disputar uma vaga na Câmara Federal e buscar a reeleição, com o objetivo de se tornar a primeira deputada federal indígena reeleita da história do país.
Com a mudança, Mato Grosso do Sul mantém presença no governo federal. O Estado já contou, por mais de dois anos, com a sul-mato-grossense Cida Gonçalves à frente do Ministério das Mulheres, reforçando a participação local em cargos estratégicos.
Transição no Ministério dos Povos Indígenas
A chegada de Eloy Terena ocorre em um momento considerado importante para os povos originários, especialmente no Mato Grosso do Sul. Entre os avanços recentes está o acordo que encerrou o conflito fundiário Ñande Ru Marangatu, no município de Antônio João, encerrando uma disputa de cerca de quatro décadas. Também houve o reconhecimento da anistia pós-morte de Marçal de Souza, liderança Guarani-Kaiowá com projeção internacional.
Perfil do novo ministro
Luiz Eloy Terena é indígena da aldeia Ipegue, em Aquidauana. Bacharel em Ciências Jurídicas pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), tem atuação como advogado indígena no Supremo Tribunal Federal e em organismos internacionais.
Ele foi coordenador jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Também possui ampla formação acadêmica, com mestrado em Desenvolvimento Local, doutorado em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ e doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFF, além de pós-doutorado em Antropologia pela EHESS, em Paris.
Atualmente, Eloy Terena exerce o cargo de secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas e atua como professor na Escola de Direito da PUC-PR, no Programa de Pós-Graduação em Direito Socioambiental.
Entre os reconhecimentos recebidos estão a menção honrosa no Prêmio de Excelência Acadêmica da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais e o título de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, concedido por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com as mudanças, Mato Grosso do Sul segue com protagonismo político em Brasília, mesmo com a saída de Simone Tebet, mantendo espaço estratégico no governo federal.





















