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Combate às endemias em Dourados vira alvo de críticas por falta de estrutura

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A escalada da epidemia de chikungunya em Dourados, que já provocou cinco mortes — entre elas dois bebês de um e três meses — reacendeu críticas à gestão do prefeito Marçal Filho (PSDB). O Sindracse (Sindicato dos Agentes de Combate às Endemias e Agentes Comunitários de Saúde) denuncia precarização das condições de trabalho, déficit de servidores e falta de diálogo com o Executivo municipal.

Segundo o presidente da entidade, Marco Aurélio Amorim Bonetti, os profissionais enfrentam carência de itens básicos, como uniformes e crachás para identificação durante visitas domiciliares. “A coisa mais simples, como o crachá para que possamos nos identificar ao entrar nos imóveis, não temos. Isso demonstra o abandono da categoria”, afirmou.

De acordo com o sindicato, o quadro atual conta com apenas 84 Agentes de Combate às Endemias, quando o ideal seria 183 profissionais para cobrir os cerca de 183 mil imóveis do município. A cobertura, portanto, atinge apenas 43% da necessidade, sobrecarregando equipes e dificultando ações preventivas contra doenças como dengue e chikungunya.

O cenário epidemiológico é considerado crítico. Dados divulgados na quinta-feira (2) apontam 1.198 casos confirmados de chikungunya, com aumento de 85 registros em apenas 24 horas. Já os casos prováveis saltaram de 2.233 para 2.382, crescimento de 7%. Ao todo, 30 pacientes estão hospitalizados, e o município concentra a maior parte das notificações no Estado.

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O sindicato afirma que o problema se arrasta desde 2021, com perda de 32 trabalhadores sem reposição. Além disso, há déficit estimado de cerca de 70 Agentes Comunitários de Saúde. A entidade também critica a falta de diálogo com o prefeito. Segundo Bonetti, o sindicato tentou diversas audiências ao longo de 2025, sem sucesso.

“Observamos que o agente comunitário e o agente de combate às endemias foram relegados a segundo plano. Esse enfrentamento cabe à gestão atual, que se comprometeu a resolver o problema”, disse.

Relatórios da própria Secretaria Municipal de Saúde apresentados à Câmara indicam que as metas de visitas domiciliares para combate ao Aedes aegypti não foram cumpridas em 2025. O planejamento previa quatro ciclos anuais em 80% dos imóveis, mas o resultado foi zerado nos três quadrimestres.

A situação é ainda mais grave na Reserva Indígena de Dourados. Vistoria em 2.255 moradias nas aldeias Jaguapiru e Bororó identificou 589 focos de larvas do mosquito. Não há equipes fixas do município atuando na região, o que obriga a realização de mutirões emergenciais considerados insuficientes pelo sindicato.

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Diante do cenário, o Sindracse encaminhou recomendações ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul e ao Tribunal de Contas pedindo fiscalização sobre o déficit de profissionais e a aplicação dos recursos. Até o momento, segundo a entidade, não houve resposta efetiva.

Para o sindicato, a falta de investimento em prevenção aumenta os custos da saúde pública. A estimativa apresentada é de que cada real aplicado em agentes de saúde poderia economizar entre três e cinco reais em gastos com atendimento hospitalar.

Enquanto isso, a cidade permanece sob estado de emergência e enfrenta o avanço da chikungunya, com equipes reduzidas e críticas crescentes à condução do combate à doença.

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