Fiems nas Manchetes

Licitação barrada expõe bastidores e concentração de poder na Fiems

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A suspensão de uma licitação da Fiems, após denúncias de possível direcionamento, reacende questionamentos sobre a condução da entidade e lança luz sobre práticas que, segundo empresários, comprometem a transparência e a competitividade.

O certame, voltado à contratação de empresa para realização de eventos, foi interrompido após participantes apontarem irregularidades no edital  especialmente a exigência de que uma única empresa fornecesse um pacote completo de 44 itens. Na prática, a medida restringe a concorrência e favorece estruturas já consolidadas, afastando empresas especializadas e reduzindo a disputa.

A justificativa da entidade, de que a centralização garantiria maior eficiência operacional, não convence o mercado. Pelo contrário: para empresários ouvidos, trata-se de um modelo que concentra contratos, encarece serviços e levanta suspeitas de favorecimento recorrente.

As críticas se tornam ainda mais contundentes quando se observa o contexto. A Fiems é presidida há quase duas décadas por Sérgio Marcolino Longen, período considerado excessivo por parte do setor produtivo, que vê na longevidade do comando um fator que dificulta a renovação e amplia o risco de relações promíscuas entre gestão e fornecedores.

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A denúncia de que empresas “parceiras” estariam sendo beneficiadas há anos, com suposta alternância de CNPJs em contratos, reforça a percepção de um ambiente pouco competitivo e altamente concentrado. Mesmo sem comprovação definitiva, o simples fato de tais acusações surgirem com frequência já representa um desgaste institucional significativo.

Outro ponto que agrava o cenário é o volume de recursos públicos envolvidos. Apesar de não integrar formalmente a administração pública, a Fiems deve receber cerca de R$ 60 milhões em 2026, incluindo um repasse recente de R$ 7 milhões articulado ainda na gestão do ex-secretário Jaime Verruck.

A origem pública desses recursos eleva o nível de exigência sobre transparência e governança — requisitos que, segundo críticos, não vêm sendo plenamente atendidos. A própria estrutura do edital questionado evidencia fragilidades nos critérios adotados e reforça a necessidade de mecanismos mais rígidos de controle.

A suspensão do processo, motivada por uma correção técnica inclusão do CRT entre os conselhos aceitos —, acabou sendo apenas um ajuste pontual diante de um problema maior. As principais críticas ao modelo da licitação foram ignoradas pela comissão, que manteve o formato de lote único.

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Enquanto isso, o silêncio da entidade diante das acusações amplia a pressão. A ausência de respostas objetivas sobre os indícios de favorecimento contribui para alimentar desconfiança e fragiliza ainda mais a credibilidade institucional.

O episódio expõe um problema estrutural: quando entidades que operam com recursos públicos adotam práticas que limitam a concorrência, o prejuízo não é apenas para empresas excluídas, mas para todo o ecossistema econômico — que perde em inovação, eficiência e qualidade.

Mais do que um caso isolado, a crise atual coloca em xeque o modelo de gestão da Fiems e reforça a necessidade de mudanças profundas, com maior transparência, alternância de poder e respeito efetivo aos princípios de competitividade.

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