O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma das maiores crises de sua história recente após a aprovação de um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, medida que, longe de pacificar o ambiente interno, intensificou o conflito com acionistas minoritários e levantou questionamentos sobre a condução da gestão e a transparência das informações.
A operação foi aprovada em assembleia realizada na última quarta-feira (22), mas encontrou resistência significativa de entidades representativas de investidores, como ANEABRB e AABR. Juntas, elas detêm mais de 13% do capital do banco e alegam que a decisão foi tomada sem a devida divulgação de dados essenciais para avaliação da real situação financeira da instituição.
Os minoritários apontam a ausência de documentos-chave, como o balanço financeiro de 2025 e os resultados de uma auditoria forense sobre o chamado “Caso Master”. Também criticam a falta de clareza sobre o tamanho exato do prejuízo, classificado pelo próprio banco, em processos judiciais, como “bilionário”. Para esses investidores, a medida pode acabar transferindo os custos da crise diretamente aos acionistas, além de provocar forte diluição das participações, em alguns casos, com redução drástica de fatias societárias.
Operação com Banco Master está no centro da crise
O epicentro do problema está na aquisição, pelo BRB, de cerca de R$ 12 bilhões em ativos ligados ao Banco Master, operação que passou a ser investigada no âmbito da Operação Compliance Zero. Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, os ativos adquiridos sofreram forte desvalorização, comprometendo a estrutura de capital do BRB.
O impacto foi imediato: em apenas três meses, as provisões para perdas saltaram de R$ 2,6 bilhões para R$ 8,8 bilhões, pressionando indicadores de solvência e elevando o risco percebido pelo mercado.
O caso também ganhou dimensão criminal. A investigação é conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pelo Supremo Tribunal Federal, com decisões judiciais já tendo mantido prisões preventivas de ex-dirigentes e operadores ligados à operação.
Defesa da gestão e papel do governo
Apesar das críticas, a diretoria do banco defende a capitalização como necessária para garantir a continuidade das operações e recompor os índices prudenciais. O presidente da instituição, Nelson Souza, classificou a aprovação como um passo fundamental dentro do cronograma de recuperação, com prazo de integralização até o fim de maio.
O Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco com 53% das ações, deve aportar ao menos R$ 4 bilhões para manter sua participação e viabilizar a operação. O movimento, no entanto, também levanta debate sobre o uso de recursos públicos em meio à crise da instituição.
Como alternativa para lidar com os ativos problemáticos, o BRB anunciou ainda um acordo com a Quadra Capital para a criação de um fundo de investimento que pode chegar a R$ 15 bilhões. A estratégia busca transferir e monetizar os créditos deteriorados herdados da operação com o Banco Master, tentando aliviar o balanço e restaurar a confiança.




















