Mato Grosso do Sul está entre os estados que mais recuperam recursos oriundos do crime para reinvestimento público, segundo o superintendente da Polícia Federal no estado, delegado Carlos Henrique Cotta D’Ângelo. A declaração foi feita nesta terça-feira (5), durante a IV Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos, realizada em Campo Grande.
De acordo com o delegado, os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e refletem o avanço das estratégias de inteligência financeira no enfrentamento ao crime organizado. “MS se destaca pela sua condição geográfica, o que também revela nossa capacidade de recuperar valores do crime para investimento no próprio estado e em todo o território nacional”, afirmou.
Fronteira e expansão do crime
D’Ângelo destacou que a localização de Mato Grosso do Sul, com fronteiras com dois países, favorece a entrada de drogas como cocaína e maconha, tornando o estado uma rota estratégica para o tráfico internacional.
Além disso, o superintendente alertou para a diversificação das atividades criminosas. “O crime organizado não está só nas ruas. Está nos palácios, em grandes condomínios e também no centro financeiro”, disse, ao mencionar a atuação em diferentes camadas da sociedade.
Entre as operações recentes, ele citou a Carbono Oculto, considerada a maior ação do país contra fraudes no setor de combustíveis. A investigação apontou a atuação do Primeiro Comando da Capital em postos de combustíveis no estado, com prejuízos milionários.
O delegado também ressaltou o crescimento de crimes ambientais, tráfico de pessoas e, principalmente, a corrupção envolvendo agentes públicos.
R$ 649 milhões recuperados
O procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Romão Avila Junior, apresentou um balanço dos últimos seis anos: foram R$ 649 milhões recuperados entre valores bloqueados e ressarcidos.
Ele destacou ainda a atuação integrada com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gecocs) em nível nacional e a importância do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, que reúne diferentes instituições para fortalecer a recuperação de recursos ilícitos.
Plano de ação integrado
A conferência segue até quinta-feira (7) com foco na criação de estratégias conjuntas para intensificar o combate ao crime financeiro. Entre os principais objetivos está o fortalecimento da Rede Recupera Nacional e a elaboração de um plano de ação integrado.
“Queremos aprimorar o enfrentamento à dimensão econômica do crime, garantindo que os valores obtidos ilegalmente retornem à sociedade por meio de investimentos públicos”, explicou D’Ângelo.
A programação inclui palestras de representantes da Polícia Civil e da Polícia Federal sobre recuperação de ativos e destinação de valores apreendidos, reforçando o papel da inteligência financeira no combate ao crime organizado.























