A crise envolvendo o Banco de Brasília ganhou contornos explosivos e ameaça provocar um terremoto político sem precedentes no Distrito Federal. A proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, aponta para um suposto esquema de pagamento de “mesadas” a parlamentares distritais para viabilizar a controversa compra do Banco Master pelo banco estatal brasiliense.
Segundo anexos da negociação obtidos por investigadores, Costa teria relatado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República a existência de pagamentos mensais que chegariam a R$ 150 mil para deputados distritais, com o objetivo de assegurar apoio político à operação aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal em agosto de 2025.
A delação, caso homologada pelo Supremo Tribunal Federal, pode atingir diretamente 12 deputados distritais, metade da composição da Casa Legislativa, além de autoridades do alto escalão político e técnico do Distrito Federal.
Aprovação relâmpago na CLDF está no centro das investigações
O principal foco da colaboração envolve a tramitação da lei que autorizou a aquisição do Banco Master pelo BRB. O projeto foi aprovado em ritmo acelerado, em dois turnos, em pouco mais de uma hora, apesar de alertas técnicos sobre os riscos financeiros da operação.
Na época, relatórios internos e análises de mercado já apontavam possíveis inconsistências contábeis, ativos de difícil recuperação e suspeitas de fraudes estruturadas dentro do Banco Master. Ainda assim, a proposta avançou sem resistência significativa na Câmara Legislativa.
Investigadores da chamada Operação Compliance Zero sustentam que o esquema pode envolver um rombo estimado em R$ 12,2 bilhões, incluindo suspeitas de:
- gestão fraudulenta;
- lavagem de dinheiro;
- criação de ativos fictícios;
- uso de empresas de fachada;
- corrupção política;
- manipulação de operações financeiras.
De acordo com fontes ligadas à investigação, Paulo Henrique Costa teria detalhado cerca de 20 episódios de irregularidades e apresentado documentos, registros financeiros e mensagens que serviriam como provas contra agentes públicos e operadores do esquema.
Expectativa em Brasília é de forte impacto eleitoral
A eventual homologação da delação pelo STF é tratada nos bastidores de Brasília como um evento com potencial para alterar completamente o cenário político de 2026.
Parlamentares da base governista já articulam estratégias de contenção diante da possibilidade de divulgação da lista dos deputados citados. Nos corredores da CLDF, o clima é de tensão e apreensão.
Analistas políticos avaliam que o caso pode se tornar um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do Distrito Federal, tanto pelo volume financeiro investigado quanto pelo número de autoridades potencialmente envolvidas.
Enquanto isso, a Polícia Federal, a PGR e órgãos de controle financeiro seguem analisando os documentos apresentados por Paulo Henrique Costa, em um processo que pode abrir novas frentes de investigação contra agentes políticos, empresários e integrantes do sistema financeiro nacional.

























