A governadora interina do Distrito Federal, Celina Leão, promoveu uma ampla reformulação no comando da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) em meio ao aumento da pressão sobre as contas públicas e às críticas relacionadas aos elevados custos do sistema de transporte coletivo da capital.
Em um intervalo de apenas quatro dias, o governo substituiu tanto o titular da pasta quanto o secretário executivo da secretaria, em um movimento interpretado nos bastidores como uma tentativa de retomar o controle político e financeiro de uma das áreas mais sensíveis da administração distrital.
Mudanças Relâmpago na Estrutura da Pasta
A mais recente alteração foi publicada nesta quinta-feira (7), com a exoneração de Alecxandro Pinho Carreiro do cargo de secretário executivo da Semob-DF. Para ocupar a função, o Palácio do Buriti nomeou Neide Neiva Mundim Baesse, que passa a ser a nova número dois da pasta.
A troca ocorreu poucos dias após a saída de Zeno Gonçalves, que esteve à frente da secretaria durante dois anos e três meses. Na segunda-feira (4), ele foi substituído por Sandra Maria Santos Holanda, escolhida pelo governo para comandar a área em um momento de forte pressão orçamentária.
As mudanças em sequência evidenciam a preocupação do governo com o avanço das despesas ligadas ao transporte público, especialmente os valores destinados às concessionárias responsáveis pela operação do sistema de ônibus no Distrito Federal.
Crise Orçamentária no Centro da Decisão
Ao justificar as alterações, Celina Leão reconheceu que os gastos com mobilidade têm provocado impacto significativo nas finanças do GDF. Segundo a governadora, a reformulação busca estabelecer maior rigor técnico e financeiro na condução da secretaria.
A chefe do Executivo distrital afirmou que pretende “imprimir uma marca de gestão” na pasta, especialmente no controle das despesas relacionadas às tarifas e aos contratos de transporte coletivo.
A escolha de Sandra Maria Santos Holanda foi apresentada pelo governo como técnica. Celina destacou a experiência da nova secretária na área de tarifas públicas, indicando que a prioridade da nova gestão será revisar mecanismos de remuneração das empresas concessionárias e ampliar o acompanhamento dos custos do sistema.
Pressão Sobre os Contratos de Transporte
Nos bastidores do governo, integrantes da área econômica avaliam que os gastos crescentes com subsídios ao transporte coletivo passaram a representar um dos principais pontos de tensão do orçamento distrital.
O tema ganhou ainda mais relevância diante das dificuldades fiscais enfrentadas pelo GDF e da necessidade de equilibrar despesas obrigatórias sem comprometer investimentos em outras áreas estratégicas.
Apesar do discurso de renovação administrativa, as mudanças levantaram questionamentos entre servidores e setores políticos sobre a demora do governo em promover alterações em uma pasta historicamente marcada por críticas relacionadas à gestão de contratos e ao custo operacional do sistema de transporte.
Mudança Estrutural ou Ajuste Emergencial?
A reformulação na Semob-DF ocorre em meio à expectativa de que a nova equipe consiga enfrentar a escalada de despesas e implementar mecanismos mais rígidos de fiscalização dos contratos públicos.
Entretanto, interlocutores do próprio governo reconhecem que o desafio vai além da simples troca de nomes. A principal dúvida agora é se a nova cúpula terá autonomia suficiente para rever contratos, enfrentar pressões das empresas de ônibus e promover mudanças estruturais em um dos setores mais caros e politicamente delicados da administração distrital.






















