A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e o secretário de Comunicação do GDF, Weligton Moraes, foram intimados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal a prestar esclarecimentos sobre os contratos de publicidade institucional firmados pela Secretaria de Comunicação (Secom-DF), após denúncias de suposta manipulação de audiência digital e favorecimento de blogs alinhados ao governo.
A medida eleva a crise política em torno do chamado “Algoritmo do Buriti”, expressão usada para descrever um suposto esquema de distribuição de verbas públicas a portais com baixa relevância e métricas suspeitas, mas que receberam cifras elevadas em campanhas oficiais do Governo do Distrito Federal.
Segundo as denúncias reveladas pelo portal Vero Notícias, alguns blogs beneficiados apresentariam audiência incompatível com os valores recebidos. Um dos casos apontados é o site “Doa a Quem Doer”, que teria média mensal de apenas 803 acessos, mas faturamento proporcional equivalente a R$ 16,07 por visualização.
Relatórios de tráfego também indicariam tempos médios de permanência entre quatro e sete segundos nos portais investigados, padrão frequentemente associado, segundo especialistas em marketing digital, ao uso de robôs ou “fazendas de cliques” para inflar artificialmente os acessos.
Além das suspeitas sobre fraude em audiência, o caso também envolve denúncias de nepotismo e pulverização de contratos. Blogueiros ligados à Associação Brasileira de Portais de Notícias teriam registrado novos sites em nomes de familiares para ampliar o recebimento de recursos públicos.
A investigação do TRE-DF busca esclarecer se houve abuso de poder político ou uso indevido da máquina pública de comunicação, com potencial impacto sobre o equilíbrio eleitoral no Distrito Federal.
A intimação de Celina Leão e Weligton Moraes representa, até agora, o movimento institucional mais significativo no caso e pode abrir caminho para desdobramentos administrativos, eleitorais e até criminais, caso sejam confirmadas irregularidades nos critérios de distribuição das verbas e na fiscalização da audiência dos veículos contratados.
Enquanto isso, aumenta a pressão sobre o GDF para apresentar transparência total sobre os contratos e explicar como recursos públicos foram destinados a blogs sob suspeita de operar com audiência artificial.

























