Cerca de 2,5 mil pacientes ostomizados da rede pública do Distrito Federal enfrentam dificuldades no acesso a bolsas de colostomia e outros insumos essenciais. Há mais de seis meses, usuários denunciam redução de aproximadamente 50% no fornecimento realizado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, situação que tem levado muitos pacientes a reutilizar materiais descartáveis além do período recomendado.
A escassez aumenta os riscos de infecções, vazamentos, irritações na pele e outras complicações. Pacientes relatam viver sob constante insegurança diante da possibilidade de ficar sem o equipamento.
Cristina Oliveira Nunes, de 38 anos, afirma que recebia cerca de 20 bolsas por mês e hoje recebe apenas 10. “A gente acaba escolhendo entre sentir dor agora ou correr o risco de ficar sem proteção depois”, relata.
Quem consegue tenta comprar o material por conta própria. Segundo Maria Lúcia Mendes Pedrosa, de 52 anos, cada bolsa custa, em média, R$ 80. “A gente adoece e ainda tem que pagar pela doença”, afirma.
Diante da falta de insumos, a Associação dos Ostomizados do Distrito Federal (AOSDF) passou a atuar como rede emergencial de apoio, distribuindo bolsas coletoras, fraldas e cestas básicas por meio de doações. A entidade afirma que os episódios de desabastecimento têm sido frequentes.
A Secretaria de Saúde confirmou problemas no abastecimento e informou que um processo licitatório para compra das bolsas está em fase final de assinatura das atas de registro de preços. Segundo a pasta, após essa etapa, os pedidos para recomposição dos estoques serão liberados.
Especialistas alertam que a interrupção do fornecimento pode gerar responsabilização judicial do Estado. De acordo com o advogado Daniel Ângelo Luiz da Silva, pacientes podem recorrer à Justiça para obter liminares que garantam o fornecimento imediato dos insumos, especialmente em casos de maior vulnerabilidade.



















