O primeiro quadrimestre de 2026 revela uma realidade fiscal preocupante para o Distrito Federal, que amarga um déficit de R$ 1,9 bilhão. Apesar de uma arrecadação de R$ 13,4 bilhões, as despesas empenhadas saltaram para R$ 15,3 bilhões, evidenciando uma administração que gasta muito além do que arrecada.
Descontrole e Inércia
A própria equipe econômica do governo admitiu o estado crítico das contas. O secretário executivo de Finanças, Ailton Ferreira Cavalcante, classificou a situação encontrada em abril como “assustador” e confessou que “nunca poderia pensar que a situação fosse tão difícil”. O rombo, segundo ele, poderia ter atingido a marca catastrófica de R$ 5 bilhões caso medidas de contenção não tivessem sido aplicadas às pressas. Esse cenário levanta sérias dúvidas sobre o planejamento financeiro prévio, que permitiu que o DF chegasse à beira de um colapso orçamentário.
Inchaço da Máquina e Risco Salarial
Um dos principais vilões desse déficit é o crescimento desenfreado dos gastos com pessoal, que subiram 15,46% no período. Esse aumento é impulsionado pela nomeação de quase 26 mil novos servidores desde 2023, além de um peso crescente na folha de aposentados, que teve alta de 20,06%. O subsecretário do Tesouro, José Luiz Barreto, já alertou que esses indicadores colocam o GDF em risco de sofrer restrições em operações de crédito e de ficar impossibilitado de conceder novos reajustes salariais.
Saúde e Educação no Limite
Enquanto a máquina pública incha, áreas essenciais sofrem com o subinvestimento. No primeiro quadrimestre, a aplicação em Saúde ficou em R$ 1,14 bilhão, um montante abaixo do mínimo parcial esperado de R$ 1,31 bilhão. Na Educação, o índice de 21,75% também permanece abaixo da meta constitucional de 25% que deve ser atingida até o fim do exercício.
Promessas e Realidade
O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, tenta tranquilizar a Câmara Legislativa prometendo um superávit de R$ 2 bilhões até dezembro. No entanto, para o cidadão que observa um déficit bilionário e serviços públicos operando no limite mínimo, tal otimismo parece desconectado da urgência fiscal atual. Depender de um crescimento de 11% na arrecadação do ICMS não parece ser uma estratégia sustentável para corrigir as falhas estruturais que levaram o DF a este “cenário assustador”.





















