Documento aponta suposta tentativa de inserir informação falsa em ata da Comissão de Ética e relata coação contra servidora com TEA.
Uma servidora da Câmara Municipal de Amambai solicitou afastamento imediato das funções de assessoria e secretariado das comissões permanentes após denunciar supostas irregularidades ocorridas no âmbito da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Casa de Leis.
No documento encaminhado à presidência da Câmara, a servidora relata ter presenciado o que classificou como “fatos graves e de manifesta ilegalidade”, envolvendo a tentativa de registrar oficialmente a participação de um vereador em uma reunião da comissão, mesmo diante da ausência física do parlamentar.
Segundo o relato, a vereadora Brasília Aparecida Neves Farias, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e que não integra a Comissão de Ética, teria solicitado que fosse registrada em ata a presença do vereador Runes de Oliveira durante reunião realizada em 14 de maio de 2026. Conforme a denúncia, o parlamentar estaria em compromisso oficial em Campo Grande na data do encontro.
A servidora afirma que a sugestão teria sido aceita pelos integrantes presentes da comissão, presidida pelo vereador Cassiano Dutra Cardozo e composta também pelo vereador Paulo Sérgio Gomes da Silva, resultando no registro de presença do parlamentar ausente.
Ainda conforme o documento, a vereadora Rosa Linda Rodrigues, alvo do processo analisado pela Comissão de Ética, teria presenciado a ausência do vereador Runes e a presença da vereadora Brasília durante a reunião.
A servidora também relata que, em 28 de maio, teria sido alvo de pressão institucional e psicológica para validar em ata uma suposta participação remota do vereador ausente. Segundo ela, tanto a presidente da comissão quanto o vereador Runes insistiram para que fosse registrada uma “presença online” do parlamentar, modalidade que, segundo argumenta, não possui previsão no Regimento Interno da Câmara Municipal.
De acordo com a denúncia, o vereador alegou ter acompanhado a reunião virtualmente e mantido contato por mensagens com outro integrante da comissão, mas não apresentou qualquer comprovação à servidora.
Diante da situação, ela informou que se recusou a registrar a participação sem a apresentação de documentos que comprovassem a presença remota e sem a análise prévia da defesa da vereadora investigada.
No pedido de afastamento, a servidora sustenta que a inserção de informação falsa em documento público poderia configurar, em tese, o crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 do Código Penal. Ela também afirma ter sofrido coação moral e abuso de autoridade por parte dos parlamentares envolvidos.
Além das alegações relacionadas à legalidade dos atos administrativos, a servidora destaca ser pessoa com deficiência (PcD), diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição já conhecida pela Câmara Municipal. Segundo ela, as pressões sofridas desencadearam uma crise relacionada à sua condição neurodivergente, tornando o ambiente de trabalho insustentável e caracterizando possível assédio moral.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a presidente da Câmara Municipal afirmou que o caso é complexo e que acusações dessa natureza são graves. Ela declarou ainda que a situação possui desdobramentos políticos relacionados a outro processo em tramitação na Casa de Leis e informou que está analisando o documento apresentado pela servidora para adotar as providências cabíveis.
O vereador Runes de Oliveira também foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.
Já a vereadora Rosa Linda Rodrigues confirmou que esteve nas proximidades da reunião para cumprimentar os presentes, mas afirmou que não participou do encontro. Segundo ela, o vereador citado na denúncia não estava presente na ocasião.
COM INFORMAÇÃO INVESTIGAMS





















