A utilização de R$ 7 milhões em recursos públicos repassados pelo Governo de Mato Grosso do Sul à Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) voltou ao centro de uma polêmica política após a realização de um evento empresarial em um resort de luxo em Bonito. O encontro, promovido menos de um mês após a liberação integral dos recursos, reuniu empresários, executivos e autoridades, incluindo o ministro do STF André Mendonça.
O caso tem provocado críticas de parlamentares da oposição, que questionam a rapidez do repasse dos recursos, a falta de transparência sobre os gastos e a real finalidade do convênio firmado entre a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e a entidade empresarial.
Batizado de MS Summit Bonito, o evento ocorreu em um dos mais sofisticados empreendimentos turísticos do Estado. Além de empresários e dirigentes industriais, participaram representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o diplomata Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics.
As críticas ganham ainda mais força pelo fato de o convênio ter sido articulado durante a gestão de Jaime Verruck na Semadesc. Ex-diretor corporativo da própria Fiems e considerado um dos principais aliados do presidente da entidade, Sérgio Longen, Verruck participou do evento após deixar o cargo para disputar as eleições.
Na Assembleia Legislativa, deputados da oposição classificaram a operação como suspeita. O deputado João Henrique Catan (Novo) questionou a velocidade com que o dinheiro foi empenhado, liquidado e pago à entidade.
“Em menos de 19 dias, empenhou, liquidou, faturou e pagou para a Fiems. O que está acontecendo?”, questionou o parlamentar em plenário.
Para críticos do convênio, a agilidade incomum na liberação dos recursos contrasta com a burocracia enfrentada por municípios, entidades sociais e até obras públicas que aguardam meses por repasses estaduais.
A controvérsia aumentou após a revelação de que a Fiems contratou uma pesquisa eleitoral poucas semanas depois de receber os recursos públicos. Embora não exista prova de ligação entre os fatos, parlamentares oposicionistas passaram a cobrar esclarecimentos mais detalhados sobre a aplicação do dinheiro.
O deputado Pedro Kemp (PT) chegou a afirmar que a resistência da base governista em aprovar pedidos de informação sobre o convênio apenas alimenta as suspeitas em torno da operação.
Até o momento, a Fiems não detalhou publicamente quanto foi gasto na realização do evento em Bonito, nem apresentou esclarecimentos sobre despesas com hospedagem, estrutura, palestrantes ou logística.
Em nota, a Semadesc afirmou que o convênio atende aos requisitos legais e que a prestação de contas segue os procedimentos exigidos pelos órgãos de controle. Segundo a secretaria, os recursos têm como finalidade promover Mato Grosso do Sul, atrair investimentos privados e fortalecer o desenvolvimento econômico estadual.
Já o gabinete do ministro André Mendonça informou que ele não recebeu remuneração pela participação no evento.
Apesar das justificativas oficiais, a falta de transparência sobre a aplicação dos recursos continua alimentando questionamentos políticos e cobrando respostas mais detalhadas à sociedade. Afinal, quando milhões de reais de dinheiro público são transferidos a uma entidade privada e utilizados em eventos de alto padrão, a exigência por prestação de contas deixa de ser uma formalidade burocrática para se tornar uma obrigação indispensável perante o contribuinte.



















