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PF investiga permuta milionária entre desembargador afastado e deputado em esquema de venda de sentenças

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A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8), trouxe à tona novas informações sobre o patrimônio do desembargador afastado Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), e sua relação com o deputado estadual Faissal Calil (PL), ambos alvos da investigação que apura suposta venda de sentenças e lavagem de dinheiro.

As suspeitas ganharam força a partir de informações prestadas pela servidora pública Márcia Amâncio de Souza da Silva, ex-esposa do magistrado, durante o processo de divórcio do casal, em 2020. Entre os bens relacionados nos autos está um apartamento localizado no Edifício Vila Real, no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá, avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

Segundo a descrição apresentada por Márcia, o imóvel teria sido adquirido por meio de uma permuta envolvendo o desembargador e o deputado Faissal Calil. A informação foi divulgada em reportagem do site Intercept. O parlamentar, contudo, nega ter realizado qualquer transação imobiliária com o magistrado.

Além do apartamento, a ex-esposa listou um patrimônio milionário atribuído a Dirceu dos Santos, incluindo fazendas, terrenos em condomínios de luxo, apartamentos em regiões valorizadas de Cuiabá, veículos, aplicações financeiras e até uma residência em Winter Garden, cidade localizada na região de Orlando, na Flórida, Estados Unidos.

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De acordo com a Polícia Federal, o deputado estadual atuaria como uma espécie de operador de confiança do desembargador. Em nota, a corporação afirma que o parlamentar funcionava como “braço operacional” do magistrado, participando de supostas operações destinadas a ocultar a origem de recursos ilícitos.

“As condutas buscavam conferir aparência de licitude ao proveito dos crimes”, destacou a PF ao descrever o papel desempenhado pelo grupo investigado.

As investigações apontam ainda que os envolvidos movimentaram aproximadamente R$ 3,2 milhões em espécie nos últimos anos. Além de Dirceu dos Santos e Faissal Calil, também foi alvo da operação o advogado Bruno Castro, além de outros investigados cujos nomes não foram divulgados.

Durante o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, os agentes recolheram diversos itens de alto valor, entre eles um relógio Rolex, 11 canetas de luxo da marca Montblanc, uma pistola, um revólver e um fuzil. A Polícia Federal ainda não informou em quais endereços os objetos foram encontrados.

Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A operação segue em andamento e busca esclarecer a existência de um suposto esquema de corrupção envolvendo decisões judiciais no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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Até o momento, as defesas dos investigados não se manifestaram oficialmente sobre as acusações apresentadas pela Polícia Federal.

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