A destinação de R$ 7 milhões em recursos públicos repassados à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) voltou ao centro do debate político após a realização de um evento empresarial em um resort de luxo em Bonito e relatos sobre despesas com viagens internacionais custeadas no mesmo período.
O convênio firmado entre a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e a entidade empresarial passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares da oposição, que cobram transparência total sobre a aplicação dos recursos públicos.
Menos de um mês após a liberação integral da verba, a Fiems promoveu o MS Summit Bonito, encontro que reuniu empresários, executivos e autoridades nacionais em um dos mais sofisticados empreendimentos turísticos do Estado. Entre os participantes estiveram o ministro do STF André Mendonça, representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo.
As críticas se intensificaram após denúncias encaminhadas à redação apontarem que uma empresa contratada para atuar no evento teria recebido mais de R$ 1 milhão. Também foram relatados gastos relacionados a viagens internacionais. As informações, no entanto, ainda carecem de confirmação documental e vêm sendo usadas como base para pedidos de esclarecimentos por parte de setores da oposição.
Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) questionou a velocidade da tramitação financeira do repasse.
“Em menos de 19 dias, empenhou, liquidou, faturou e pagou para a Fiems. O que está acontecendo?”, indagou o parlamentar durante sessão plenária.
Para os críticos, a rapidez na transferência dos recursos contrasta com a realidade enfrentada por municípios, entidades assistenciais e obras públicas que frequentemente aguardam meses para receber verbas estaduais. O caso alimenta suspeitas sobre tratamento privilegiado e reforça a pressão por uma prestação de contas detalhada.
A polêmica ganhou novos contornos após a divulgação de que a Fiems contratou uma pesquisa eleitoral semanas depois do recebimento dos recursos. Embora não haja, até o momento, qualquer prova de ligação entre a pesquisa e o dinheiro público repassado pelo Estado, deputados oposicionistas afirmam que a coincidência exige explicações adicionais.
Diante da repercussão, cresce a cobrança para que a Fiems apresente documentos detalhando cada gasto realizado com os recursos do convênio, incluindo contratos, notas fiscais, pagamentos a fornecedores, despesas com hospedagem, passagens e eventuais viagens internacionais.
Enquanto os questionamentos se acumulam, permanece a principal dúvida levantada pelos críticos da operação: qual foi, efetivamente, o retorno para a população sul-mato-grossense dos R$ 7 milhões destinados à entidade empresarial?
Até o momento, a Fiems sustenta a legalidade do convênio e dos repasses realizados.





















