Depois de Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, o mato-grossense Mauro Mendes (União Brasil) tornou-se o segundo governador bolsonarista a entrar na lista de alvos da Justiça e, consequentemente, da Polícia Federal – por suspeita de envolvimento no esquema da rede criminosa montada por Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. A diferença é que, por enquanto, só Vorcaro está preso (na carceragem da PF, no Distrito Federal), enquanto Castro renunciou para não ter o mandato cassado, mas perdeu seus direitos políticos por oito anos.
No caso de Mauro Mendes, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação para apurar como se processou a ligação entre o Master e o governo de Mato Grosso para operar movimentações de crédito e dinheiro por meio de cartões consignados aos servidores públicos estaduais. A informação é do jornal “O Globo” e foi dada pela jornalista Malu Gaspar. A suspeita decorre do uso do Credcesta, um cartão de benefícios controlado pelo Banco Master, com elevada margem consignável para endividar servidores e abocanhar fatias colossais da folha de pagamentos.
A suspeita inclui um jantar num restaurante de Nova Iorque (EUA). Na ocasião,que supostamente estiveram no local Vorcaro, Castro e Mendes. Mas Mendes garante que foi uma coincidência estar lá naquele dia, quando foi participar de uma reunião empresarial, e afirma que sequer fez companhia a Vorcaro e Castro. Sobre as operações com cartão consignável ele afirma que, além do Master, seu banco credenciou outras 24 instituições financeiras.
ABUSOS – Mauro Mendes deixou o governo para candidatar-se ao Senado, lançando sua mulher, Virgínia Mendes, à Câmara dos Deputados. Foi substituído por Otaviano Pivetta (Republicanos), que mantém as coisas do jeito que Mendes deixou: um governo fértil em equívocos, omissões e abusos. Na desastrosa gestão, um dos absurdos na pecaminosa associação entre público e privado, Mendes deu para a iniciativa privada, por concessão, um espaço de entretenimento, o Parque Novo Mato Grosso, no qual só uma roda-gigante absorveu cerca de R$ 70 milhões sugados do Tesouro Estadual.
Enquanto isso, a caneta, o coração e os interesses menores de Mendes não se importaram com os apelos e as dores dos doentes que dependem da assistência do Hospital do Câncer. O estabelecimento clamou por urgência em auxílio financeiro, mas não recebeu nem o recurso, nem a atenção. É o que disse a deputada federal Coronel Fernanda (PL), com indignação:
“Um roda-gigante de R$ 70 milhões não esperou para ser comprada. Parque bilionário também não esperou. Mas o Hospital do Câncer precisa de R$ 20 milhões para construir 40 leitos para atender o povo de Mato Grosso. Não dá para admitir”. Um protesto incisivo como este faz a população se revoltar e sentir enorme vergonha do governante que a submete a tamanha contradição.
Enquanto o povo paga seus impostos e aguarda pela devolução de seu suado dinheiro na forma de obras e benefícios que tem por direito e previsão legal, o ex-governador sai em campanha com sua esposa na expectativa de uma dupla vitória nas urnas. Para analisar o que significa este voto basta conferir e avaliar a medida utilizada por um governador que saca uma fortuna dos cofres do Estado para construir um parque milionário e o entrega à iniciativa privada, com uma roda-gigante de R$ 70 milhões, e não escuta a angústia de pacientes de um hospital sem recursos para manter sua estrutura e continuar salvando vidas.






















