Após uma operação de grande porte em Mato Grosso, que revelou um esquema de fraudes envolvendo a empresa Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica LTDA, a companhia tem migrado para o Mato Grosso do Sul, onde já firmou novos contratos com prefeituras e câmaras municipais. A operação, que causou um rombo de quase R$ 1,8 bilhão, desvendou uma série de ‘maracutaias’ envolvendo o fornecimento de combustíveis e outros serviços. A empresa agora se reconfigura, buscando expandir sua atuação no estado vizinho.
A investigação, realizada pela Polícia Civil e Ministério Público de Mato Grosso, identificou um núcleo familiar com atuação em diversas empresas suspeitas de fraudar licitações e realizar contratos superfaturados com órgãos públicos. Entre as descobertas, destacam-se a adulteração de documentos fiscais, o uso de “cartões coringa” para desvio de combustível e o pagamento de propinas a gestores públicos.
Além disso, de acordo com os dados obtidos durante a apuração, a empresa já estabeleceu sua base em Mato Grosso do Sul, onde firmou contratos que somam mais de R$ 17 milhões, como o caso das cidades de Jardim e Terenos, que contrataram a Centro América para a gestão de suas frotas e o fornecimento de combustíveis.
No município de Jaraguari, em Mato Grosso do Sul, a Saga Comércio e Serviço de Tecnologia e Informática Ltda. também firmou contratos de fornecimento de combustíveis com a prefeitura, cujo valor total excede R$ 9 milhões, com reajustes de até 25%. O prefeito Edson Rodrigues Nogueira deu aval para os reajustes, que foram assinados no mês de outubro de 2024. Tais contratos fazem parte de um cenário mais amplo que envolve uma série de acordos entre empresas de fachada e administrações municipais.
Em Mato Grosso do Sul, as prefeituras de Jardim e Terenos aderiram a uma ata de preços originada de Minas Gerais, resultando em pagamentos vultosos à empresa Centro América. O contrato firmado com a Prefeitura de Jardim prevê o pagamento de R$ 6,65 milhões pela gestão da frota e o fornecimento de combustíveis e serviços de manutenção veicular, enquanto o contrato com Terenos ultrapassa R$ 11 milhões.
Além disso, o Ministério Público e a Polícia Federal investigam um possível envolvimento de membros da quadrilha em esquemas de corrupção em outras prefeituras e câmaras de vereadores no Mato Grosso do Sul, o que levanta questões sobre a continuidade de práticas ilícitas nos novos contratos firmados.
Declaração da assessora de imprensa
Em entrevista com a assessora de imprensa da empresa Centro América, não comentou sobre os detalhes da operação e os contratos suspeitos firmados no estado. Ela também afirmou que a situação do empresário Edézio Correia, mencionado nas investigações, é uma questão pessoal e que ele está afastado da empresa.






















