A revelação de que o Governo do Distrito Federal (GDF), sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), destinou R$ 5 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, trouxe novos questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos e a fiscalização de contratos financiados pelo Estado. O caso ganha ainda mais repercussão porque Karina também é proprietária da produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse.
A ligação entre a entidade beneficiada com recursos públicos e a produtora do filme sobre Bolsonaro passou a ser alvo de questionamentos após o Instituto Conhecer Brasil ser incluído em investigações que apuram a execução de contratos firmados com órgãos públicos.
Contrato milionário com o GDF
O acordo entre o GDF e o Instituto Conhecer Brasil foi firmado em dezembro de 2023 por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Inicialmente, o contrato previa o repasse de pouco mais de R$ 4 milhões para a implementação do programa Steam Maker em escolas públicas do Distrito Federal.
Em janeiro de 2025, a parceria recebeu um aditivo de R$ 1 milhão, elevando o valor total do contrato para R$ 5 milhões.
Segundo a justificativa oficial, os recursos seriam utilizados para a instalação de laboratórios de inovação, aquisição de equipamentos tecnológicos, desenvolvimento de laboratórios móveis, capacitação de professores e fornecimento de notebooks para unidades da rede pública de ensino.
Entidade recebeu milhões enquanto produtora desenvolvia filme
O ponto que desperta atenção é o fato de que Karina Ferreira da Gama ocupa simultaneamente a presidência do Instituto Conhecer Brasil e o comando da GoUp Entertainment, empresa responsável pela produção de Dark Horse.
Embora a produtora não tenha recebido diretamente recursos do contrato firmado com o GDF, a coincidência entre as duas estruturas administradas pela mesma dirigente levantou questionamentos sobre a governança, os mecanismos de controle e a transparência na aplicação dos recursos públicos.
A GoUp Entertainment é uma empresa sem histórico relevante no mercado cinematográfico nacional e assumiu a produção da obra que pretende retratar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Prestação de contas ainda não concluída
Dados públicos indicam que aproximadamente R$ 4 milhões já haviam sido liberados ao instituto até o final de 2024. Apesar disso, a prestação de contas do projeto segue classificada como “em execução” nos registros da FAPDF.
A situação se tornou ainda mais delicada após a realização de uma operação policial, em 1º de junho de 2026, que passou a investigar contratos executados pelo Instituto Conhecer Brasil. As apurações buscam verificar a regularidade da aplicação dos recursos e a efetiva entrega dos serviços contratados.
Falta de respostas amplia dúvidas
Até o momento, permanecem sem esclarecimento público questões consideradas centrais para a avaliação do contrato. Entre elas estão quais escolas efetivamente receberam os equipamentos previstos, quantos laboratórios foram instalados, quais professores foram capacitados e quais critérios justificaram o aditivo de R$ 1 milhão autorizado pelo governo.
Questionados sobre a execução do projeto e os resultados alcançados, o Governo do Distrito Federal e a Secretaria de Educação não apresentaram respostas oficiais.
A ausência de informações detalhadas amplia as dúvidas sobre a efetividade do programa e reforça a necessidade de fiscalização dos órgãos de controle, especialmente diante da vinculação da entidade beneficiada a um empreendimento político e audiovisual de grande repercussão nacional.






















