A sequência de seis mortes registradas em menos de um mês na rede pública de saúde do Distrito Federal intensificou a pressão sobre o Governo do DF e reacendeu o debate sobre a qualidade da assistência prestada à população. Os casos envolvem duas gestantes, dois bebês e dois adultos, que morreram durante atendimento, à espera de assistência médica ou durante transferência entre unidades de saúde.
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, e representantes do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) afirmaram que todas as ocorrências estão sendo investigadas. Segundo o secretário, os episódios são “fatos isolados” e não refletem o funcionamento da rede pública como um todo.
Apesar da declaração, as mortes ocorreram em diferentes unidades de saúde do DF e chamaram atenção pela proximidade entre os casos, levando familiares, órgãos de controle e autoridades a cobrarem respostas e eventuais responsabilizações.
Casos sob investigação
Entre os episódios mais recentes está a morte da bebê Maria Vitória, de cinco meses, ocorrida em 6 de julho durante a transferência entre o Hospital Regional de Planaltina e o Hospital da Criança de Brasília. De acordo com o prontuário médico, a criança foi acidentalmente extubada durante o transporte realizado por uma empresa terceirizada. A Secretaria de Saúde informou que avalia rescindir o contrato com a prestadora do serviço.
No Hospital Regional de Samambaia, duas mortes maternas também são alvo de apuração. Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu após o parto em decorrência de uma hemorragia causada por atonia uterina. Dias depois, Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, também faleceu após dar à luz. Segundo a Secretaria de Saúde, a paciente apresentou um grave distúrbio de coagulação de difícil reversão.
Outro caso que gerou grande repercussão foi o de Luciana Ferreira, que perdeu a filha durante o parto, em 29 de junho, após sucessivas idas ao hospital em busca de atendimento.
As investigações também alcançam duas mortes de pacientes adultos. Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu na sala de espera da UPA do Recanto das Emas sem receber atendimento médico. O caso é investigado pela Polícia Civil, enquanto o Iges-DF instaurou sindicância administrativa.
Já Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na entrada do Hospital de Base, no dia 12 de julho. Familiares afirmam que ele chegou à unidade com forte falta de ar e não recebeu atendimento imediato, vindo a falecer ainda na calçada do hospital.
Governo pede cautela
Durante a coletiva, Juracy Cavalcante afirmou que as investigações deverão apontar se houve falhas, negligência ou imperícia em cada situação. No caso das mortes maternas registradas em Samambaia, o secretário destacou que ambas as pacientes apresentavam quadros clínicos considerados graves e que, segundo a pasta, os protocolos médicos foram seguidos.
O secretário também ressaltou que eventuais responsabilizações somente ocorrerão após a conclusão das apurações técnicas e administrativas.
Enquanto isso, familiares das vítimas seguem cobrando esclarecimentos, e os casos permanecem sob investigação da Secretaria de Saúde, do Iges-DF e, em algumas situações, da Polícia Civil e do Ministério Público.






















