Morte em sala de espera da UPA do Recanto das Emas segue sob investigação; PCDF apura possível omissão

UPA dos Recanto das Emas - DF. Foto: Agência Brasília

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A morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, continua sendo investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Embora o laudo do Instituto Médico Legal (IML) tenha concluído que o paciente morreu por causas naturais, a principal linha de apuração agora busca esclarecer se houve omissão de socorro durante o período em que ele permaneceu aguardando atendimento médico. 

O caso ocorreu entre a noite de 19 de junho e a tarde de 20 de junho e ganhou repercussão após imagens das câmeras de segurança mostrarem Vilmar permanecendo por horas na sala de espera da unidade antes de ser encontrado sem vida. 

Investigação continua aberta 

Inicialmente, a informação era de que o caso seria arquivado em razão da conclusão do laudo cadavérico. No entanto, a 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) esclareceu nesta quinta-feira (16) que a investigação permanece em andamento. 

Segundo a PCDF, a ocorrência continua registrada como “Localização ou Remoção de Cadáver” enquanto a Seção de Investigação de Crimes Violentos (SIC/VIO) finaliza um relatório que irá subsidiar a decisão sobre a eventual instauração de um inquérito policial para apurar possível omissão de socorro. 

Caso sejam identificados indícios de negligência ou falha no atendimento, a investigação poderá evoluir para a responsabilização criminal dos envolvidos. 

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Laudo aponta morte súbita cardíaca 

O laudo do Instituto Médico Legal concluiu que Vilmar sofreu uma morte súbita cardíaca causada por um tamponamento cardíaco, decorrente de uma dissecção aguda da aorta ascendente. O documento também aponta que o quadro foi agravado por hipertensão arterial e valvopatia. 

Apesar da conclusão sobre a causa clínica da morte, a investigação busca responder uma questão central: o paciente poderia ter sobrevivido caso tivesse recebido atendimento médico em tempo adequado? 

Essa resposta deverá depender da análise dos prontuários, dos depoimentos dos profissionais de saúde e de eventuais perícias complementares. 

Paciente permaneceu horas aguardando atendimento 

As imagens de segurança mostram que Vilmar chegou à UPA às 21h14 do dia 19 de junho, utilizando uma cadeira de rodas. Durante toda a madrugada e parte da manhã seguinte, ele permaneceu na sala de espera, chegando a se cobrir com um cobertor enquanto aguardava atendimento. 

Segundo testemunhas, apenas por volta das 14h do dia 20 outros pacientes perceberam que ele não apresentava sinais vitais. 

Relatos colhidos pela investigação indicam que, após ser avisado, um enfermeiro teria afirmado inicialmente que o paciente não estava morto. A situação provocou indignação entre os presentes e gerou tumulto na unidade. Pacientes impediram a retirada do corpo até a chegada da Polícia Militar. 

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Iges-DF também abriu investigação 

Paralelamente à investigação criminal, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta da equipe que estava de plantão no momento da ocorrência. 

Em nota, o instituto informou que adotou medidas para reforçar os protocolos de acolhimento, classificação de risco e identificação precoce de pacientes em situação de vulnerabilidade. O órgão afirmou ainda que as informações da investigação interna permanecem sob sigilo, em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

Os documentos produzidos pelo procedimento administrativo, juntamente com os depoimentos dos profissionais envolvidos, deverão integrar o relatório que será encaminhado à Polícia Civil. 

Caso reacende debate sobre atendimento nas UPAs 

A morte de Vilmar reacendeu discussões sobre a capacidade de atendimento das unidades de urgência do Distrito Federal, especialmente em relação ao tempo de espera e à reavaliação periódica de pacientes que permanecem por longas horas nas salas de espera. 

Mesmo com a confirmação de que a causa da morte foi natural, a investigação pretende esclarecer se houve falhas assistenciais capazes de configurar responsabilidade criminal ou administrativa. Até a conclusão das apurações, a PCDF mantém o caso aberto e aguarda os elementos técnicos que definirão os próximos passos da investigação. 

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