A Câmara Municipal de Terenos completa mais de cinco meses analisando os documentos encaminhados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para decidir se abre ou não uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o suposto esquema de corrupção na Prefeitura. Enquanto os vereadores afirmam que ainda examinam as provas, o prefeito Henrique Budke (PSDB) já foi preso, afastado do cargo, retornou à Prefeitura e continua sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Os documentos da Operação Spotless estão disponíveis aos parlamentares desde fevereiro deste ano. Mesmo assim, até o momento, não há definição sobre a abertura da investigação no Legislativo.
Questionada pela reportagem, a Câmara informou que a análise ainda não foi concluída.
“Desde fevereiro de 2026 a análise dos documentos da Operação Spotless segue em andamento. Trata-se de um material extenso, com mais de 10 mil páginas, que está sendo analisado individualmente pelos vereadores, paralelamente às demais atividades legislativas. Além disso, diante dos fatos novos relacionados ao caso, a análise continua sendo conduzida com a cautela necessária”, informou a assessoria da Casa.
Segundo a Câmara, também não existe prazo para conclusão dos trabalhos nem decisão sobre eventual prorrogação do período de análise.
“Assim que houver um entendimento consolidado e uma manifestação oficial, ela será comunicada.”
Prazo já foi ampliado
Em abril, os vereadores aprovaram um pedido para ampliar em mais 60 dias o prazo destinado à análise das provas produzidas pelo Gaeco. Na ocasião, os parlamentares justificaram que o volume da documentação impedia a conclusão dos trabalhos dentro do prazo inicialmente previsto.
Conforme explicou a Câmara, os mais de 10 mil documentos ficam disponíveis em uma sala restrita. O acesso é individual, sendo permitida a entrada de apenas um vereador por vez, acompanhado por um servidor responsável pela guarda do material. Celulares, câmeras, filmadoras ou qualquer equipamento eletrônico são proibidos no ambiente, impedindo o registro das informações.
Investigação apura organização criminosa
Em janeiro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) acolheu pedido do Ministério Público Estadual e encaminhou à Câmara Municipal cópia da denúncia apresentada pelo Gaeco e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).
Na mesma decisão, o desembargador Jairo Roberto de Quadros autorizou que os vereadores tivessem acesso integral às provas reunidas durante a investigação.
Segundo o Ministério Público, a Operação Spotless identificou uma organização criminosa instalada dentro da Prefeitura de Terenos, formada por agentes públicos e empresários que atuariam de maneira coordenada para fraudar licitações e direcionar contratos públicos.
De acordo com a denúncia, o grupo utilizava servidores públicos para elaborar editais direcionados, simular concorrências e favorecer empresas previamente escolhidas. Apenas no último ano investigado, os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 15 milhões.
As investigações também apontam pagamento de propina a servidores responsáveis por atestar falsamente a entrega de produtos e serviços, além de acelerar processos administrativos para liberação de pagamentos.
As provas foram reforçadas após a perícia realizada em aparelhos celulares apreendidos durante a Operação Velatus. O material, compartilhado mediante autorização judicial, revelou conversas e elementos que, segundo o Ministério Público, demonstram o funcionamento da organização criminosa e permitiram identificar seus principais integrantes.
Investigados usam tornozeleira
Entre os investigados monitorados por tornozeleira eletrônica estão o prefeito Henrique Budke, além de Arnaldo Santiago, Cleberson José Chavoni Silva, Eduardo Schoier, Fábio André Hoffmeister Ramires, Fernando Seiji Alves Kurose, Genilton da Silva Moreira, Hander Luiz Correa Grote Chaves, Isaac Cardoso Bisneto, Leandro Cícero Almeida de Brito, Nadia Mendonça Lopes, Orlei Figueiredo Lopes, Sandro José Bortoloto, Sansão Inácio Rezende e Valdecir Batista Alves.
O nome da operação faz referência ao termo em inglês “Spotless”, que significa “sem manchas”, em alusão à necessidade de que os processos de contratação pública ocorram com transparência e sem irregularidades. Enquanto isso, mais de cinco meses após o recebimento das provas, a Câmara de Terenos ainda não decidiu se instaurará ou não uma CPI para apurar os fatos no âmbito do Legislativo municipal.























