Crise na UnDF persiste após fim da greve; estudantes e professores denunciam problemas estruturais

Foto: Lucio Bernardo/Agência Brasília

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Mesmo com a retomada das aulas há quase dois meses, comunidade acadêmica afirma que reivindicações seguem sem solução. 

Quase dois meses após o encerramento da greve de 48 dias que paralisou as atividades da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF), estudantes e professores afirmam que os principais problemas que motivaram a mobilização continuam sem solução. As aulas foram retomadas em 8 de maio de 2026, mas a comunidade acadêmica relata dificuldades relacionadas à infraestrutura, permanência estudantil e autonomia administrativa da instituição. 

Um dos principais alvos das críticas é o funcionamento do Campus Norte, instalado em um prédio alugado do IESB, em Ceilândia. O contrato de locação, estimado em cerca de R$ 110 milhões, é questionado por representantes da comunidade universitária, que defendem a construção de uma sede própria para a universidade. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF), Louis Blanchet, há dúvidas sobre a destinação dos recursos utilizados para custear o aluguel do imóvel. O sindicato também aponta possíveis falhas no processo de contratação e questiona a utilização de verbas do Fundo de Apoio à Pesquisa (FunDF) para financiar a locação. 

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Além das críticas à infraestrutura, estudantes relatam dificuldades para permanecer na universidade. A falta de transporte público regular até o campus, especialmente no período noturno, a iluminação considerada insuficiente nos arredores da unidade e os custos elevados da alimentação estão entre os principais problemas apontados. 

De acordo com a presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA), Bárbara Oliveira, essas condições impactam diretamente a permanência dos alunos e aumentam o risco de evasão, principalmente entre estudantes em situação de maior vulnerabilidade econômica. 

Outro ponto de reivindicação é a autonomia universitária. Professores e servidores defendem que a universidade avance na implementação de mecanismos democráticos de gestão. Atualmente, cargos como o de reitor, diretores de escola e coordenadores de curso ainda não são escolhidos por eleição direta, o que, segundo o sindicato, mantém a instituição subordinada a decisões do Poder Executivo. 

UnDF defende legalidade do contrato 

Em nota enviada ao portal Brasil de Fato DF, a reitoria da UnDF informou que as atividades acadêmicas seguem normalmente nos campi Norte e Ceilândia. 

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Sobre o contrato de locação do prédio, a universidade afirma que sua legalidade foi reconhecida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. A instituição também informou que está dando continuidade ao processo de implantação dos conselhos superiores e à posse de seus respectivos conselheiros, medida considerada importante para fortalecer a governança universitária. 

Apesar da retomada das atividades, representantes de estudantes e docentes avaliam que a universidade ainda enfrenta desafios significativos para garantir uma estrutura adequada, ampliar a assistência estudantil e consolidar sua autonomia institucional, pontos que estiveram no centro das reivindicações durante a greve e que continuam mobilizando a comunidade acadêmica.

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