Governadora aparece na liderança das pesquisas para 2026, mas trajetória é marcada por episódios controversos, alianças políticas e pelo desafio de administrar os efeitos da crise do BRB
A governadora Celina Leão (PP) chega à disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026 em uma posição confortável nas pesquisas, mas sua trajetória política está longe de ser linear. Entre a ascensão no grupo de Joaquim Roriz, a passagem pela Câmara Legislativa, a atuação no Congresso Nacional e a chegada ao Palácio do Buriti, a atual governadora acumulou poder, alianças e também episódios controversos que continuam fazendo parte de sua biografia política.
Levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado em julho, colocou Celina na primeira colocação no principal cenário estimulado, com 34,6% das intenções de voto, contra 28,1% de José Roberto Arruda (PSD). A diferença de 6,5 pontos percentuais mostra vantagem para a governadora, mas está longe de representar uma eleição definida.
O resultado dá à chefe do Executivo uma importante vitrine eleitoral, mas também aumenta a cobrança sobre sua gestão. Afinal, Celina não chega à eleição como uma candidata externa ao governo: ela passou a comandar definitivamente o GDF em 30 de março de 2026, depois da renúncia de Ibaneis Rocha para disputar o Senado.
De Roriz ao comando do Executivo
A construção política de Celina começou ainda nos anos 2000. Antes de chegar à CLDF, passou pela Secretaria de Juventude do DF. Em 2010, foi eleita deputada distrital e posteriormente conquistou novo mandato. Em 2015, chegou à presidência da Câmara Legislativa, tornando-se uma das principais figuras políticas do Legislativo local. (CLDF)
Foi justamente durante sua passagem pelo comando da CLDF que surgiu um dos capítulos mais delicados de sua carreira. Em 2016, Celina foi afastada da presidência da Casa no contexto da Operação Drácon, investigação que apurava suspeitas relacionadas à destinação de emendas e suposto recebimento de propina. Na época, ela negou as acusações e afirmou ser vítima de uma articulação política.
O episódio não impediu sua continuidade na política. Pelo contrário. Celina chegou à Câmara dos Deputados em 2019, passou por funções relacionadas à defesa dos interesses das mulheres e, posteriormente, ocupou secretarias do governo local. Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha.
A trajetória revela uma característica marcante de sua carreira: a capacidade de sobreviver a crises políticas e reconstruir alianças. De uma política que transitou pelo rorizismo, Celina se tornou uma das principais representantes do grupo que comandou o DF nos últimos anos.
O peso de governar em ano eleitoral
A transformação de vice em governadora, entretanto, também mudou o patamar da cobrança. Ao assumir o Buriti, Celina deixou de ser apenas uma integrante da administração de Ibaneis e passou a carregar diretamente a responsabilidade pelas decisões do Executivo.
Entre os assuntos mais sensíveis está a situação do Banco de Brasília (BRB) e os desdobramentos envolvendo o Banco Master. Em maio, Celina enviou à CLDF projeto para revogar a autorização que permitia ao BRB adquirir participação no Master, numa tentativa de interromper a operação e reduzir os riscos para a instituição financeira estatal.
A própria governadora afirmou posteriormente esperar que recursos mencionados em delação relacionada ao caso possam retornar aos cofres públicos.
O problema político é que a crise do BRB se tornou um dos principais pontos de pressão sobre o governo. Mesmo que não haja, no material consultado, acusação formal contra Celina relacionada ao caso, a governadora terá de explicar ao eleitorado decisões tomadas pelo governo e pelo banco durante o período em que seu grupo político esteve no comando do DF.
Liderança nas pesquisas não significa eleição resolvida
O desempenho de Celina nas pesquisas representa uma vantagem concreta, mas não elimina os riscos de uma campanha que ainda está em construção. A distância para Arruda, de 6,5 pontos, é relevante, porém o cenário permanece aberto.
Além disso, a governadora terá de transformar a popularidade medida pelas pesquisas em avaliação positiva de sua administração. Esse é um desafio diferente de simplesmente liderar uma sondagem eleitoral.
A pesquisa do Paraná Pesquisas registra o momento da corrida e não uma previsão do resultado.
Celina chega, portanto, à eleição com uma combinação poderosa: máquina administrativa, experiência política, alianças consolidadas e liderança nas pesquisas. Ao mesmo tempo, carrega o ônus de quem já esteve no centro de disputas políticas, enfrentou investigações, mudou de posição dentro do espectro partidário e agora precisa responder diretamente pelos problemas do governo.
A eleição de 2026 poderá colocar à prova justamente essa capacidade de sobrevivência política. A questão não será apenas se Celina consegue permanecer à frente das pesquisas, mas se conseguirá transformar a liderança atual em uma demonstração consistente de força eleitoral diante dos adversários e das dificuldades acumuladas no governo.
Nota: os dados e episódios históricos acima foram confrontados com fontes públicas, incluindo registros da Câmara Legislativa e informações divulgadas pelo Paraná Pesquisas. A abordagem crítica é editorial e não representa uma avaliação ou recomendação sobre candidaturas.




















