Distrito Federal

A “gaveta” como destino: A prepotência de Ibaneis Rocha diante das sombras do caso BRB-Master

Foto: Renato Alves/Agência Brasília

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Operações suspeitas, pedidos de impeachment e silêncio estratégico colocam em xeque a governança do banco público e a responsabilidade política do Palácio do Buriti

O cenário político do Distrito Federal assistiu, nesta quarta-feira (11/02), a mais um capítulo da postura frequentemente classificada como prepotente do governador Ibaneis Rocha (MDB). Durante a inauguração de obras em Santa Maria, o chefe do Executivo não apenas confirmou sua saída do cargo em 28 de março para disputar o Senado, mas o fez com um tom de desdém em relação aos mecanismos de controle democrático.

A declaração de que todos os pedidos de impeachment contra ele “vão para a gaveta” porque “é de lá que nunca deveriam ter saído” soa como um desafio aberto à fiscalização política e à própria gravidade das denúncias que o cercam. Ao tratar processos de impedimento como meras tentativas de “criar fatos políticos”, Ibaneis ignora que tais pedidos estão fundamentados em suspeitas graves envolvendo o uso do Banco de Brasília (BRB).

O foco das investigações e dos pedidos de impeachment reside na aquisição de carteiras de crédito suspeitas de fraude do Banco Master pelo BRB, além da própria tentativa de compra da instituição privada pelo banco estatal mineiro-brasiliense. Embora Ibaneis afirme categoricamente não ter “qualquer tipo de envolvimento” e empurre a responsabilidade para os que já estão sendo processados na Justiça, o tom de sua fala sugere uma autoconfiança que beira a intocabilidade.

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Essa percepção de “imunidade” ganha força com a atuação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Na terça-feira (10/02), um desses pedidos foi arquivado sumariamente pelo presidente da Casa, Wellington Luiz, que é correligionário de Ibaneis no MDB. O arquivamento, baseado em um parecer da Procuradoria-Geral da Casa que apontou ausência de elementos formais, parece validar a profecia do governador de que a “gaveta” é o destino certo para qualquer oposição.

No entanto, a estratégia de Ibaneis de minimizar os fatos pode ser arriscada. Ao mesmo tempo em que ele se prepara para deixar o governo nas mãos de Celina Leão para buscar uma vaga no Senado, ainda restam seis pedidos de impeachment em análise na CLDF.

A postura de quem se sente acima do escrutínio público, tratando denúncias de corrupção e má gestão como incômodos que devem ser simplesmente “engavetados”, levanta um questionamento essencial para o eleitorado: até que ponto a eficiência administrativa alegada pelo governador justifica o desprezo pelas instituições que deveriam fiscalizá-lo? Para Ibaneis, a resposta parece estar na gaveta; para o Distrito Federal, a resposta pode vir nas urnas.

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