Distrito Federal

Alunos de escola cívico-militar no DF são submetidos a flexões por cor de agasalho

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MPDFT abre investigação, PMDF afasta policiais envolvidos e caso reacende debate sobre o modelo cívico-militar nas escolas do DF

O Centro Educacional 01 do Itapoã (CED 01), no Distrito Federal, é alvo de investigação após estudantes serem filmados realizando flexões e permanecendo de joelhos no pátio da escola. A situação teria ocorrido na última quarta-feira (25) e, segundo denúncias de pais e entidades da área da educação, a medida foi aplicada como punição pela cor inadequada dos agasalhos utilizados pelos alunos.

O caso gerou forte repercussão e levou ao afastamento imediato dos policiais militares envolvidos, além da abertura de procedimento pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Denúncias apontam punição física

De acordo com relatos encaminhados ao Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) e ao Fórum Distrital de Educação (FDE), os estudantes teriam sido obrigados a realizar exercícios físicos como forma de correção disciplinar por não estarem com o uniforme dentro do padrão exigido pela unidade.

Imagens gravadas no local mostram os alunos organizados em fila enquanto executam as flexões. Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Educação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o episódio é “desproporcional e inaceitável”, sobretudo porque o edital para aquisição dos uniformes oficiais das escolas cívico-militares foi publicado recentemente.

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Um ponto que agravou a denúncia é a informação de que uma das estudantes submetidas ao exercício físico possui diagnóstico de câncer, segundo o Fórum Distrital de Educação. As entidades afirmam que a prática pode configurar violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por possível tratamento vexatório e abuso de autoridade.

Direção apresenta versão diferente

A diretora da escola, Antônia de Sá, contestou a interpretação de que houve punição. Segundo ela, o vídeo divulgado estaria fora de contexto. A gestora afirmou que os alunos que chegam atrasados participam de uma formação e que, na ocasião, um policial teria proposto um “desafio” de 10 flexões para quem quisesse aderir de forma voluntária.

Ainda conforme a diretora, alguns estudantes participaram e outros não, e as imagens teriam sido recortadas de modo a sugerir uma punição coletiva. Ela também questionou a origem da denúncia, afirmando que partiu de pessoa externa à comunidade escolar.

Histórico e críticas ao modelo

O CED 01 já havia sido citado em outras ocorrências. Em maio de 2025, alunos relataram episódios de violência física e psicológica. Em junho de 2024, um estudante afirmou ter sido agredido após chegar atrasado.

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O modelo de gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é alvo recorrente de críticas por parte de entidades educacionais, que apontam possíveis excessos disciplinares e restrições à autonomia estudantil.

Providências adotadas

Após a repercussão do caso, a Secretaria de Educação do Distrito Federal e a PMDF confirmaram o afastamento e a substituição imediata dos militares envolvidos. Em nota, a corporação afirmou que não compactua com práticas que possam ser interpretadas como constrangedoras ou inadequadas ao ambiente escolar.

A Promotoria de Justiça Militar do MPDFT requisitou à Corregedoria-Geral da PMDF a instauração de procedimento preliminar de investigação, fixando prazo de cinco dias para apresentação de informações.

A Secretaria de Educação também reforçou que nenhum estudante será prejudicado por eventual inadequação de vestimenta, destacando que a prioridade da rede pública é garantir permanência, acolhimento e respeito aos direitos dos alunos.

O caso segue sob apuração, e novas medidas administrativas poderão ser adotadas conforme o resultado das investigações.

 

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