A crise na saúde pública de Campo Grande volta ao centro do debate com a realização de uma audiência pública, marcada para esta segunda-feira (13), às 9h, na Câmara Municipal. Proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), a reunião pretende cobrar respostas da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) sobre a persistente falta de medicamentos na rede municipal de saúde — um problema antigo que, ao invés de ser resolvido, parece se agravar com o passar dos meses.
O foco da audiência recai sobre a precariedade da Assistência Farmacêutica, especialmente na atenção básica, onde muitos usuários do SUS relatam dificuldades recorrentes para conseguir remédios essenciais — desde analgésicos simples até medicamentos de uso contínuo, indispensáveis para o controle de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
Além disso, a população tem enfrentado um verdadeiro descaso no acesso ao Programa Farmácia Popular, que deveria aliviar a pressão sobre os estoques municipais, mas que vem sofrendo com falhas operacionais e desabastecimento. A audiência também vai abordar a implementação do Programa Dignidade Menstrual, do Governo Federal, que deveria garantir o fornecimento gratuito de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade, mas cuja aplicação em Campo Grande ainda é tímida e cercada de obstáculos.
Descaso e judicialização
O quadro é tão crítico que muitas famílias têm recorrido à Justiça para conseguir medicamentos — o que revela não apenas a falência da política pública de saúde, mas também o aumento da desigualdade no acesso a direitos básicos. A judicialização da saúde em Campo Grande tem crescido exponencialmente, sobrecarregando o Judiciário e evidenciando a ineficiência do Executivo municipal em atender a população de forma igualitária e sistemática.
Falta de gestão e transparência
A vereadora Luiza Ribeiro afirma que a situação é insustentável e que a audiência será uma oportunidade para pressionar o Executivo a apresentar soluções concretas e imediatas. “A população não pode continuar sendo penalizada pela má gestão e pela falta de compromisso com a saúde pública. É inaceitável que, em pleno 2025, ainda estejamos debatendo a falta de medicamentos básicos nos postos de saúde”, declarou.
Enquanto a Prefeitura de Campo Grande mantém um discurso genérico de que “está trabalhando para resolver os problemas”, a realidade nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) desmente essa narrativa. Pacientes relatam longas esperas, receitas que não podem ser atendidas por falta de insumos, e servidores sobrecarregados — tudo isso sob uma gestão que evita dar respostas objetivas e transparentes sobre a origem e persistência do problema.
Cobrança popular
A audiência promete reunir não apenas parlamentares, mas também representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, conselhos de saúde e movimentos sociais. A expectativa é de que a sociedade civil compareça em peso para cobrar providências. A crise da saúde em Campo Grande não pode mais ser tratada como um problema administrativo pontual: trata-se de um reflexo direto da ineficiência e da falta de planejamento da atual administração.





















