O Banco de Brasília (BRB) elevou para R$ 6,6 bilhões o valor do aporte financeiro solicitado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em uma tentativa de enfrentar a crise de liquidez que atinge a instituição. O montante representa um aumento expressivo em relação aos R$ 4 bilhões inicialmente pleiteados, evidenciando o agravamento da situação financeira do banco.
Para viabilizar a operação, o BRB apresentou um robusto pacote de garantias, que inclui cerca de 7 mil imóveis pertencentes ao Governo do Distrito Federal (GDF). Além disso, foram colocadas à disposição participações acionárias em empresas públicas estratégicas, como a Companhia Energética de Brasília (CEB) e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).
Segundo o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, as negociações com o FGC e com consórcios de instituições financeiras ocorrem de forma contínua. A estratégia adotada pela diretoria permite que os próprios credores escolham, dentro do portfólio oferecido, os ativos que considerarem mais adequados como garantia. “Garantias nós temos muitas”, afirmou o executivo, destacando que a lista vai além dos imóveis autorizados por lei.
Contexto de crise
A necessidade de um socorro financeiro dessa magnitude está diretamente ligada aos desdobramentos da aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, que posteriormente passaram a ser alvo de suspeitas de irregularidades. O episódio desencadeou uma crise institucional no BRB, culminando na saída do então presidente Paulo Henrique Costa e na reestruturação da alta gestão.
Os impactos também atingiram a transparência financeira da instituição. O banco não apresentou, dentro do prazo legal, o balanço referente ao exercício de 2025, cuja divulgação agora depende da conclusão das negociações para recomposição de capital.
Alternativas de capitalização
Paralelamente ao pedido junto ao FGC, o BRB busca outras frentes para recompor seu caixa. Entre elas, está a proposta apresentada pela Quadra Capital, que prevê a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
A operação poderia gerar até R$ 4 bilhões imediatos, além da possibilidade de captação adicional de R$ 11 bilhões em cotas subordinadas no médio prazo, ampliando o fôlego financeiro da instituição.




















