Banco Central cobra resposta imediata após rombo bilionário e caso avança para investigações criminais e pressão política sobre o GDF
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente. O Banco Central deu prazo até sexta-feira (6/2) para que a instituição apresente um plano detalhado de recomposição de pelo menos R$ 5 bilhões, após identificar graves inconsistências financeiras decorrentes das operações com o Banco Master, liquidado em novembro de 2025.
Segundo estimativas dos reguladores, as transações deixaram um rombo próximo de US$ 1 bilhão, valor equivalente a cerca de R$ 5 bilhões, pressionando o balanço do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
As apurações indicam que, entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, adquirindo carteiras de crédito com indícios de superfaturamento e ausência de lastro. Parte relevante desses ativos teria sido comprada por valores até duas vezes superiores aos praticados no mercado, incluindo cerca de R$ 13 bilhões em créditos considerados inexistentes ou sem capacidade real de geração.
O caso é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal como possível gestão fraudulenta, envolvendo operações com empresas recém-criadas e ativos sem garantias efetivas.
Antes da liquidação do Master, o BRB tentou adquirir o banco — operação que contou com apoio público do governador Ibaneis Rocha, mas foi barrada pelo Banco Central. A crise resultou na demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e na prisão temporária do CEO do Master, Daniel Vorcaro, que hoje responde ao processo sob monitoramento eletrônico.
Apesar da gravidade do caso, especialistas apontam que não há risco imediato de insolvência do BRB, já que o GDF detém quase 72% do capital da instituição. O secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, afirmou que o governo está preparado para realizar aportes de capital, se necessário.
No Congresso Nacional, o escândalo já mobiliza parlamentares e há pressão crescente pela instalação de CPI e CPMI para apurar responsabilidades. O plano a ser entregue ao Banco Central deverá ser executado em até seis meses, condição considerada essencial para preservar a estabilidade do banco e a confiança no sistema financeiro.






















