Filiação de José Roberto Arruda ao PSD reúne aliados, escancara divisões no PL e intensifica críticas a Ibaneis Rocha às vésperas da disputa pelo Palácio do Buriti
A pré-corrida ao governo do Distrito Federal ganhou novos contornos nesta semana com a filiação do ex-governador José Roberto Arruda ao PSD. O evento, realizado na noite de segunda-feira (15), em Brasília, reuniu aliados políticos e serviu de palco para duras críticas ao governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), em meio às investigações envolvendo o Banco Master.
A ligação de Ibaneis com o caso do Banco Master tem sido apontada por adversários como uma das principais fragilidades do atual governo e deve ser explorada pelos pré-candidatos ao Palácio do Buriti nas eleições de 2026. Durante o discurso, Arruda criticou a aplicação de recursos públicos em operações consideradas de alto risco.
“É inacreditável que, na capital do país, tenham tido coragem de jogar mais de R$ 12 bilhões em recursos públicos fora, aplicados em títulos podres de um banco que já estava marcado. É uma irresponsabilidade sem tamanho”, afirmou. Em tom provocativo, completou: “Para o governador, só digo uma coisa: aceita que dói menos”.
Entenda o caso
O Banco Master tornou-se alvo de investigações após a revelação de operações financeiras consideradas de alto risco e da aplicação de bilhões de reais em títulos classificados como problemáticos. O episódio ganhou ainda mais repercussão com a prisão de Daniel Vorcaro, apontado como figura central no esquema e politicamente associado a Ibaneis Rocha.
A relação entre o governador e o caso é atribuída, principalmente, à insistência de Ibaneis na compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), decisão que vem sendo questionada por adversários políticos e por setores da sociedade.
Tentativa de inversão de narrativa
Ao explorar o episódio, Arruda tenta também inverter a narrativa que ainda pesa sobre sua trajetória política. Ex-governador do DF, ele foi afastado e preso em 2009 durante o escândalo conhecido como mensalão do DEM. Embora hoje sustente estar apto a disputar eleições e trabalhe para viabilizar sua candidatura em 2026, o tema segue tratado com cautela nos bastidores.
“Esse caso do Master é tão grave que, no começo, eu sequer acreditava. Se tudo aquilo de que fui acusado lá atrás fosse verdade, perto do Banco Master eu iria para o juizado de pequenas causas”, disse.
Racha no PL
Os bastidores da cerimônia também expuseram um racha político dentro do Partido Liberal (PL) no Distrito Federal. Apesar de o governador Ibaneis Rocha tentar consolidar a vice-governadora Celina Leão (PP-DF) como sua sucessora — inclusive enviando-a a eventos ligados à extrema direita em Brasília —, a presença de nomes de peso do PL no evento de Arruda indicou que o apoio da legenda pode não estar fechado.
Participaram do ato o deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) e o senador Izalci Lucas (PL-DF). Fraga, inclusive, reforçou cobranças por investigações no caso do Banco Master e adotou um discurso agressivo.
“Ele vai ter que se explicar na Justiça, explicar por que comprou títulos podres”, afirmou. Em seguida, subiu o tom: “Aqueles juízes que conseguem se vender são amigos do Ibaneis, mas existem homens sérios”. Ao responder críticas internas no partido, disparou: “Mandaram um recado me chamando de traidor. Traidor é a p*** que pariu. Estou com um cara que foi governador e deixou saudade no povo. Pode contar comigo, Arruda”.
Disputa acirrada
Arruda reconheceu que a disputa pelo Palácio do Buriti em 2026 tende a ser difícil, especialmente diante de uma eventual candidatura de Celina Leão. “Será uma eleição muito difícil, complicada. Mas acho que a verdade pode vencer a arrogância”, declarou.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, esteve presente no evento, mas deixou o local pouco após a filiação de Arruda. Nos bastidores, a saída rápida foi interpretada como sinal de desconforto diante do racha exposto no PL. Kassab não falou com jornalistas e limitou-se a dizer: “É um momento importante, a filiação de Arruda, que volta à vida pública e, inquestionavelmente, tem um papel relevante”.
Além de lideranças do PSD, o evento contou com a presença de aliados de outros partidos, como o Avante e integrantes do próprio PL, entre eles o senador Izalci Lucas, reforçando o clima de rearranjo político que começa a marcar a disputa pelo governo do Distrito Federal.




















