Entre o rombo bilionário no BRB e o veto de Bolsonaro, o governador do DF vê sua pré-candidatura ao Senado minguar sem o suporte do Partido Liberal.
O cenário político para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), atingiu um ponto de saturação que ameaça seriamente suas pretensões eleitorais para 2026. Enquanto tenta equilibrar as contas de um banco estatal em crise, o governador vê seu caminho para o Senado Federal obstruído pelo Partido Liberal (PL), que optou por uma “chapa pura”, deixando-o sem o selo oficial do bolsonarismo na capital federal.
O Peso da Crise Financeira
A fragilidade de Ibaneis não é apenas política, mas também administrativa. O governador encontra-se desgastado pelas investigações que cercam a negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O impacto financeiro é alarmante: estima-se um buraco de pelo menos R$ 5 bilhões no balanço da instituição estatal, o que exige medidas drásticas de capitalização e socorro, inclusive com a participação da Caixa Econômica Federal.
Nesse contexto, Ibaneis passou a ser alvo de críticas severas de antigos aliados. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), outrora próxima ao governador, assinou um requerimento para que ele preste informações no Senado, chegando a rotulá-lo duramente como “garoto propaganda do banco Master”. Além do desgaste de imagem, o governador enfrenta novos pedidos de impeachment e afastamento protocolados na Câmara Legislativa.
O “NÃO” de Bolsonaro e a Chapa Pura
O golpe mais contundente nas aspirações de Ibaneis, entretanto, veio da cúpula do PL. O ex-presidente Jair Bolsonaro “bateu o martelo” para que o partido dispute as duas vagas ao Senado no DF com nomes próprios: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis.
A decisão isola Ibaneis, que contava com uma “dobradinha” ou um palanque unificado de direita para impulsionar sua candidatura. Ao lançar Michelle e Kicis — figuras de alta fidelidade e popularidade no campo conservador —, o PL retira do governador o apoio da principal força de direita do país. Bia Kicis reforçou que, embora a candidatura de Ibaneis seja legítima, a opção do partido é pela chapa pura, focando em nomes de confiança direta de Bolsonaro.
Uma Aliança em Equilíbrio Precário
Apesar do isolamento imposto pelo PL, Ibaneis ainda tenta manter uma base de apoio com partidos de centro-direita como MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e PRTB. O ponto de convergência desse grupo é a pré-candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) ao Palácio do Buriti, nome que possui a simpatia tanto de Ibaneis quanto de Michelle Bolsonaro.
Contudo, a estratégia de Ibaneis de tentar fazer Bolsonaro recuar para evitar a divisão de votos no palanque da direita parece, até o momento, não surtir efeito. O governador insiste que “política se faz com calma” e que trabalhará por um palanque único até o último momento, mas o cenário se torna cada vez mais delicado à medida que as investigações do BRB avançam e o PL consolida suas candidatas.
Sem o apoio do partido de Bolsonaro e sob o fogo cruzado de escândalos financeiros, Ibaneis Rocha terá que decidir se mantém a aposta em uma candidatura solitária ao Senado ou se cederá à pressão de um campo político que, embora aliado em torno de Celina Leão, parece disposto a deixá-lo para trás na disputa legislativa.




















