caos do transporte público

CPI do ‘busão’ não muda realidade imediata, mas visa responsabilizar pelo ‘caos’ diretores e ex-diretores do Consórcio e da Prefeitura

publicidade

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Vereadores, chegou ao fim e apresenta relatório sobre investigação do transporte coletivo de Campo Grande. A CPI do ‘busão’ não mudará a realidade imediata, mas visa responsabilizar pelo ‘caos’ diretores e ex-diretores do Consórcio Guaicurus e da Prefeitura, sob gestão de Adriane Lopes e outras prefeitos. Setores mais atingidos seriam a Agetran (Agência Municipal de Trânsito) e Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos),

“Tinham dinheiro e não investiram, o que chegou ao sucateamento e omissão do Consórcio e do Poder Executivo da Capital”, aponta relatório, que no decorrer da matéria, mostra muitas irregularidades e problemas encontrados oficialmente ante o que usuário já sofre diariamente. A troca imediatamente de quase 200 ônibus ‘vencidos’, está em muitos pedidos de resolução dos problemas ou que o MPE-MS (Ministério Público Estadual), ja na Justiça, para responsáveis responderem por danos e prejuízos a gestão pública e a sociedade.

Com pedido de indiciamento de todos os diretores e ex-diretores do Consórcio Guaicurus, de 2012 a 2024, por improbidade administrativa, o relatório da vereadora Ana Portela (PL), assinado por todos os membros da CPI (Luiza Ribeiro-PT; Lívio Leite – UB; Coringa – MDB e Maicon Nogueira -PP), será encaminhado ao TCE-MS (Tribunal de Contas de MS) e ao MPE-MS,

Portela também pede indiciamentos pela Prefeitura, dos ex-diretores Janine Bruno – Agetran, e, Odilon de Oliveira – Agereg, por prevaricação e improbidade administrativa, na inércia de fiscalização. E do ex-diretor da Agereg, Vinicius Leite Campos, a indiciamento por improbidade administrativa e prevaricação por não ter realizado a revisão tarifária em 2019. Odilon e Vinicius também são ex-vereadores.

Um problema direto a população

A CPI aponta que entre os problemas, que afetam ao usuário todo dia, é a frota envelhecida, com média de 8,59 anos, acima do limite legal, e pelo menos 40 veículos parados por falta de manutenção. O próprio consórcio reconheceu que parte dos 460 ônibus superou o prazo de uso, alegando dificuldades financeiras para renovar a frota.

Leia Também:  Prefeitura avança na construção de moradias para as famílias da comunidade Mandela

A relatora porém, calculou depreciação acumulada de R$ 94 milhões entre 2016 e 2024 e concluiu que os concessionários tinham capacidade de investimento. “Ao longo dos anos, tiveram condições de comprar ônibus novos e não fizeram. Não adianta transferir essa fatura para a população”, afirmou Portela

Pedidos ao MPE – Documentos forjados

O relatório será encaminhado para MPE-MS, denunciando que documentação (livro razão, livro diário e relatórios contábeis) indicam que “há fortes indícios de que as operações financeiras simuladas, buscaram desviar recursos para fins particulares, o que pode ter causado prejuízos significativos à União”, aponta a vereadora-relatora.

Portela, em documento aprovado por demais membros, diz que a CPI recomenda que o MPE abra um procedimento investigatório para aprofundar a apuração dos fatos e, se for o caso, propor as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e garantir o ressarcimento dos valores.

O relatório também será encaminhado ao TCE, com pedidos de auditoria da efetividade da fiscalização exercida pela AGEREG e pela AGETRAN, com ênfase na aferição dos marcos regulatórios, na observância das normas técnicas aplicáveis e na consistência dos relatórios de desempenho apresentados.

A CPI ainda solicita análise dos efeitos da desvinculação de 30% das receitas da AGEREG (DRU municipal) sobre a sua capacidade de investimento institucional e de contratação de pessoal técnico, avaliando em que medida tal mecanismo compromete a autonomia e a eficiência da Agência em suas funções regulatórias.

Pedidos ao Consórcio

A CPI solicita providências do Consórcio para continuidade da concessão, exigindo a regularização de irregularidades que comprometem a qualidade e a segurança do serviço:

Leia Também:  Santa Casa enfrenta superlotação e crise financeira, enquanto Assembleia de MS investe mais de 34 milhões em estacionamento

– Substituir imediatamente 197 ônibus com idade útil vencida para adequar a frota à idade média máxima de 5 anos, exigida em contrato;
– Implementar um plano rigoroso de manutenção preventiva e corretiva para garantir o bom estado dos veículos e o funcionamento dos elevadores de acessibilidade;
– Interromper a circulação de veículos com documentação irregular, falhas mecânicas ou qualquer outra condição que coloque os usuários em risco; apresentar a Matriz Origem-Destino e o Coeficiente de Integração Física atualizados para garantir o planejamento e a fiscalização do sistema.

O consórcio também deverá esclarecer a venda de um imóvel da Viação Cidade Morena, justificar a movimentação financeira de R$ 32 milhões com a Viação Cidade dos Ipês, que não é parte do consórcio e explicar as despesas de manutenção com um percentual de 84% e das despesas não operacionais, que subiram de R$ 250 mil para R$ 11 milhões em 2021.

“A CPI ressalta que o consórcio não pode pleitear reequilíbrio financeiro com base em falhas de gestão ou descumprimento de deveres contratuais. O não cumprimento dessas exigências pode levar a sanções como multas, intervenção ou até a caducidade da concessão”, diz o relatório.

Recomendação à prefeitura

A CPI recomenda ainda que a prefeitura aplique, de forma efetiva, as sanções previstas em contrato, como multas a concessão, de acordo com a gravidade das infrações. Além disso, pede a revisão tarifária de 2019, para evitar distorções.

No relatório, integrantes da CPI ressaltam que “futuros pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro devem ser analisados com rigor, já que falhas na gestão ou na conservação da frota não justificam compensação, pois são riscos do próprio negócio”.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide