Os deputados federais Erika Kokay e Pedro Uczai protocolaram, nesta semana, uma notícia de fato junto à Procuradoria-Geral da República solicitando a abertura de investigação contra o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O pedido inclui ainda o bloqueio cautelar de bens pessoais do político, diante de suspeitas de irregularidades em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Suspeitas de articulação em operações de risco
De acordo com a representação, Ibaneis teria atuado diretamente na articulação política e institucional para viabilizar operações consideradas de alto risco pelo banco estatal. Os parlamentares afirmam que, durante sua gestão, o BRB adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos de baixa qualidade (“podres”) do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
A deputada Erika Kokay classificou o ex-governador como o “arquiteto da crise” que atinge o banco público. Segundo ela, depoimentos prestados por Vorcaro à Polícia Federal indicam que houve interlocução direta com Ibaneis sobre negociações envolvendo o banco privado, incluindo uma tentativa de venda ao BRB — operação que não se concretizou após intervenção do Banco Central do Brasil, que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Indícios de conflito de interesses
A notícia de fato também aponta possíveis conflitos de interesse e solicita o rastreamento patrimonial completo de Ibaneis e de outros envolvidos. Entre os pontos levantados está a atuação de seu escritório de advocacia, que teria recebido aproximadamente R$ 85 milhões em honorários relacionados a operações financeiras envolvendo fundos ligados ao grupo Master.
Para os parlamentares, os elementos indicam possíveis práticas de gestão fraudulenta e uso indevido da influência política para favorecer interesses privados em detrimento do patrimônio público.
Outras iniciativas e reação da defesa
O caso também motivou iniciativa no âmbito local. O deputado distrital Fábio Felix acionou o Ministério Público Federal com pedidos semelhantes, apontando possíveis crimes como gestão temerária, advocacia administrativa e indução de erro à administração pública.
Em resposta, Ibaneis Rocha negou qualquer irregularidade e classificou as acusações como “politicagem pura”. O ex-governador admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro, mas afirmou que não tratou da venda do banco nem participou de decisões operacionais do BRB.
Próximos passos
A Procuradoria-Geral da República deverá analisar o pedido dos deputados e decidir se instaura procedimento investigatório. Entre as diligências sugeridas estão a requisição de informações à Polícia Federal, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central, com o objetivo de esclarecer eventuais prejuízos bilionários ao erário do Distrito Federal.
O caso amplia a pressão política e institucional sobre a gestão passada do BRB e pode ter desdobramentos relevantes no cenário jurídico e eleitoral do Distrito Federal.























