Paralisação expõe 13 anos sem concursos, sobrecarga de servidores e omissão do Governo do Distrito Federal diante do colapso anunciado do metrô
A inércia e a falta de compromisso do Governo do Distrito Federal (GDF) com o transporte público atingiram um ponto crítico. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite da última terça-feira (24/3), os funcionários do Metrô-DF aprovaram uma greve geral que interromperá totalmente o serviço a partir da zero hora da próxima segunda-feira (30/3). A decisão da categoria é um reflexo direto da omissão governamental em apresentar propostas econômicas e soluções para problemas que se arrastam há mais de uma década.
13 anos de negligência e sucateamento
O cenário denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (Sindmetrô-DF) revela um quadro de abandono deliberado. Há 13 anos a Companhia do Metropolitano não realiza concursos públicos, o que resultou em um déficit de pessoal tão severo que, atualmente, diversas estações operam com apenas um funcionário por turno. Essa sobrecarga de trabalho compromete não apenas a saúde dos metroviários, mas a própria segurança e eficiência do sistema utilizado por milhares de brasilienses diariamente.
Segundo Marcos Carvalho, diretor de saúde do trabalhador do sindicato, a paralisação é a única resposta possível diante de condições de trabalho insuportáveis estabelecidas nos últimos anos. A categoria afirma que o movimento paredista é fruto exclusivo da incapacidade do governo de garantir o básico para o funcionamento do setor.
Silêncio do GDF e o caos anunciado
Apesar das tentativas de negociação, o GDF tem se mostrado incapaz de oferecer respostas concretas. Neiva Lopes, porta-voz do Sindmetrô-DF, destacou que a greve foi aprovada por ampla maioria devido à “não apresentação de nenhuma proposta econômica pelo GDF”. O sindicato reforça que permanece aberto ao diálogo, mas que a paralisação é o resultado inevitável da “falta de compromisso” do governo em investir na melhoria do transporte público.
Na segunda-feira, a promessa é de pátios vazios: “Nenhum trem sai do pátio”, garantiu a diretoria do sindicato. Enquanto o governo se cala e evita o investimento em pessoal e infraestrutura, a população do Distrito Federal se prepara para enfrentar o caos no transporte, pagando o preço pela má gestão e pelo descaso com o patrimônio público.

























