Déficit bilionário no Iprev e operações sob suspeita no BRB ampliam pressão política sobre Ibaneis Rocha e Celina Leão
O Distrito Federal enfrenta a perspectiva de uma das maiores crises fiscais de sua história, colocando o governo do governador Ibaneis Rocha (MDB) e da vice-governadora Celina Leão (PP) sob forte pressão política. O agravamento do rombo previdenciário no Iprev-DF e as operações financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master acenderam alertas sobre a sustentabilidade das contas públicas já a partir de 2026.
Com orçamento estimado em R$ 43,6 bilhões, projeções internas indicam que mais de 20% dos recursos do DF poderão ser consumidos por déficits previdenciários, dívidas e operações financeiras de alto risco, reduzindo drasticamente a capacidade de investimento do governo e ampliando a dependência de aportes do Tesouro local.
Rombo previdenciário expõe fragilidade do Iprev
O Iprev-DF deve registrar um déficit de R$ 2,1 bilhões em 2026, agravado pela decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que proibiu o uso do Fundo Constitucional do DF para o pagamento de aposentadorias de servidores da saúde e educação inativados após 2019. Com isso, a despesa passou a ser integralmente absorvida pelo instituto.
Auditorias do Tribunal de Contas do DF (TCDF) apontaram falhas graves na gestão de investimentos, incluindo concentração excessiva de recursos e decisões sem respaldo técnico adequado. Parte relevante dessas aplicações envolve o BRB, do qual o Iprev é um dos principais acionistas, expondo diretamente os recursos previdenciários às oscilações do mercado financeiro.
BRB–Master amplia crise e pressão política
O cenário fiscal se deteriorou ainda mais com as investigações sobre as operações entre o BRB e o Banco Master. Apurações indicam que o banco público do DF teria repassado cerca de R$ 16,7 bilhões ao Master entre 2024 e 2025, em transações sob suspeita de irregularidades e fragilidade nos controles de risco. A tentativa de aquisição do Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central.
Diante do quadro, partidos de oposição como PSB, Cidadania e PSOL protocolaram pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha, apontando omissão do governador e risco ao equilíbrio das finanças públicas. A crise atinge também a vice-governadora Celina Leão, integrante do núcleo decisório do governo.
Impacto direto sobre servidores e contribuintes
Enquanto o GDF tenta judicializar no STF a questão do Fundo Constitucional, servidores acompanham o cenário com apreensão, temendo atrasos no pagamento de benefícios. Especialistas alertam que, sem reformas estruturais, o custo do desequilíbrio previdenciário tende a ser transferido ao contribuinte, por meio de aportes crescentes do Tesouro do DF.
O avanço das auditorias, das investigações do Ministério Público e a análise dos pedidos de impeachment pela Câmara Legislativa devem definir os próximos capítulos de uma crise que já se consolida como um dos maiores desafios fiscais da história recente do Distrito Federal.
























