Professores da Universidade de Brasília (UnB) realizam nesta quarta-feira (15) uma paralisação de atividades em defesa da Unidade de Referência de Preços (URP), considerada um direito histórico da categoria. A mobilização inclui um ato público às 10h, em frente à Reitoria, e foi aprovada em assembleia geral extraordinária da Associação dos Docentes da UnB no último dia 10.
O movimento ocorre em reação a uma orientação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), enviada à administração da universidade no início de abril. O documento estabelece que 60% dos reajustes salariais concedidos aos servidores federais sejam utilizados para reduzir gradualmente os valores pagos a título de URP.
Impacto no bolso dos docentes
Na prática, a medida afeta diretamente o reajuste de 3,5% conquistado pela categoria após a greve de 2024. Segundo os docentes, parte desse aumento será automaticamente absorvida para compensar a URP, reduzindo o ganho real já na folha salarial de abril de 2026.
A política não se limita à UnB e deve alcançar servidores de cerca de 70 órgãos federais, ampliando a insatisfação entre diferentes carreiras do funcionalismo público.
Disputa chega ao STF
A entidade representativa dos professores contesta a implementação imediata da medida, alegando que o tema ainda está em discussão no Supremo Tribunal Federal. O processo tem como relatora a ministra Cármen Lúcia e, segundo a ADUnB, ainda possui recursos pendentes de julgamento.
Para o sindicato, a aplicação administrativa da absorção antes de uma decisão definitiva do Judiciário fere a segurança jurídica e inviabiliza uma solução negociada.
Reivindicações da categoria
Entre os principais pontos defendidos pelos docentes estão a ampliação e a proteção do direito à URP:
Inclusão de professores que ingressaram após novembro de 2023, com pagamento retroativo;
Suspensão imediata de descontos aplicados a docentes aposentados;
Garantia de que progressões e promoções na carreira não sejam impactadas pela absorção da URP.
A ADUnB argumenta que a atual diretriz desestimula a produção acadêmica e compromete a valorização da carreira docente.
Mobilização permanente
Além da paralisação desta quarta-feira, os professores aprovaram a manutenção do estado de assembleia permanente, o que permite novas deliberações rápidas diante do avanço das negociações ou de eventuais decisões judiciais.
A presidente da entidade, Maria Lídia Bueno Fernandes, afirmou que o movimento busca pressionar tanto a Reitoria quanto o governo federal a suspenderem a medida até a conclusão do julgamento no STF. Segundo ela, a defesa da URP está diretamente ligada à preservação de direitos adquiridos e à autonomia universitária.
O ato desta quarta deve reunir docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos, em mais um capítulo da disputa que envolve remuneração, decisões judiciais e políticas de gestão do funcionalismo público federal.




















