ponta do iceberg

Empresa investigada por corrupção em MT já faturou quase R$ 100 milhões com prefeituras de MS

Operação Gomorra no Mato Grosso

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Mesmo sob investigação por envolvimento em um amplo esquema de corrupção em Mato Grosso, empresas ligadas ao mesmo grupo familiar seguem acumulando contratos milionários com prefeituras de Mato Grosso do Sul. Somados, os valores se aproximam da marca de R$ 100 milhões em dinheiro público, o que levanta sérios questionamentos sobre os critérios adotados pelas administrações municipais.

O caso mais recente envolve a Prefeitura de Aparecida do Taboado, a 448 quilômetros de Campo Grande, que aderiu a uma ata de registro de preços para contratar a Pantanal Gestão e Tecnologia LTDA pelo valor de R$ 1.522.146,78, pelo período de um ano. A adesão consta no Processo nº 022/2025, publicado no Diário Oficial da Assomasul desta terça-feira (27).

A Pantanal Gestão e Tecnologia LTDA é uma das empresas investigadas na Operação Gomorra, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso em novembro de 2024. A investigação apura um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em mais de 100 prefeituras e câmaras municipais daquele estado.

A empresa pertence a Roger Corrêa da Silva, que foi alvo de mandado de prisão durante a operação. Ele é sobrinho de Edézio Corrêa, apontado pelo Ministério Público como líder do grupo criminoso investigado.

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Apesar desse histórico, a empresa foi escolhida para prestar serviços de gestão administrativa informatizada, incluindo gerenciamento, orçamentação e intermediação da locação de veículos, máquinas, ambulâncias e equipamentos da frota municipal de Aparecida do Taboado, por meio de estabelecimentos credenciados pela própria contratada.

Grupo investigado segue faturando em MS

O caso não é isolado. Outras prefeituras sul-mato-grossenses também firmaram contratos com empresas ligadas ao mesmo grupo investigado em Mato Grosso.

Em Laguna Carapã, a prefeitura fechou um contrato de R$ 5.146.364,13 com a empresa Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica LTDA, pertencente a Jânio Corrêa da Silva, outro sobrinho de Edézio Corrêa.

Até maio de 2025, a Centro América já havia acumulado R$ 69,2 milhões em contratos apenas em Mato Grosso do Sul. Somados aos valores firmados pela Pantanal Gestão e Tecnologia e outras empresas do mesmo grupo, o montante se aproxima de R$ 100 milhões em recursos públicos, mesmo com investigações em curso no estado vizinho.

Legalidade não afasta questionamentos

Embora as contratações ocorram por meio de adesão a atas de registro de preços, mecanismo previsto em lei, especialistas alertam que a legalidade formal não elimina o dever de cautela, moralidade administrativa e zelo pelo erário.

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O fato de empresas investigadas por corrupção continuarem sendo contratadas em larga escala escancara fragilidades nos mecanismos de controle e levanta dúvidas sobre a efetiva análise de risco por parte dos gestores municipais.

Enquanto isso, municípios seguem enfrentando dificuldades em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, ao passo que milhões de reais são direcionados a empresas sob suspeita, sem que haja, até o momento, explicações públicas convincentes por parte das administrações envolvidas.

O cenário expõe uma pergunta incômoda, mas necessária: por que prefeituras de Mato Grosso do Sul continuam apostando dinheiro público em empresas investigadas por corrupção em outros estados?

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