ponta do iceberg

Empresa ligada a escândalo bilionário em MT tem contrato ampliado em Terenos e valor chega a R$ 19,2 milhões

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Mesmo no centro de um dos maiores escândalos de fraudes em licitações investigados no estado vizinho de Mato Grosso, uma empresa vinculada ao grupo familiar do empresário Edézio Correa segue ampliando contratos com administrações públicas. Em Terenos, município de Mato Grosso do Sul, um aditivo contratual elevou para R$ 19.213.803,59 o valor firmado com a Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica LTDA (CNPJ nº 09.179.444/0001-00).

O reajuste foi publicado no Diário Oficial dos Municípios e chama atenção porque a empresa integra um conglomerado apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso como parte de um esquema estruturado para fraudar licitações e obter vantagens indevidas em órgãos públicos.

Grupo familiar no centro das investigações

A Centro América integra um aglomerado empresarial ligado à família Corrêa, investigado por integrar uma organização criminosa especializada em manipular processos licitatórios em prefeituras e câmaras municipais.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, durante a Operação Gomorra, foram presos familiares do empresário Edézio Correa, apontado pelos investigadores como a figura central da organização criminosa. Entre os alvos estão esposa, irmã e sobrinhos do empresário, todos ligados a empresas utilizadas no suposto esquema.

De acordo com o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), o cruzamento de dados societários e vínculos familiares revelou uma teia empresarial estruturada para atuar em licitações públicas. Entre as empresas citadas estão:

  • Centro América Frotas Ltda

  • Saga Comércio e Serviço Tecnologia e Informática Ltda

  • Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda

  • Pontual Comércio Serviços Terceirizações Ltda

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As investigações apontam que essas empresas atuariam de forma coordenada para simular concorrência em processos licitatórios, direcionar contratos e garantir a vitória do grupo.

R$ 1,8 bilhão em contratos sob suspeita

Levantamento feito pelo Ministério Público, com base em dados do Tribunal de Contas de Mato Grosso, indica que os pagamentos feitos às empresas do grupo chegaram a aproximadamente R$ 1,8 bilhão nos últimos cinco anos.

Os contratos investigados abrangem uma ampla gama de serviços e fornecimentos, incluindo:

  • fornecimento de combustíveis

  • locação de veículos e máquinas

  • materiais de construção

  • serviços e produtos médico-hospitalares

  • tecnologia e gestão pública

Segundo os investigadores, a diversidade de áreas seria justamente uma estratégia para penetrar em diferentes setores das administrações municipais.

Contrato milionário levanta questionamentos em MS

Diante desse histórico, o aditivo contratual firmado com a Prefeitura de Terenos levanta questionamentos inevitáveis sobre os critérios adotados para manter e ampliar contratos com empresas associadas a um grupo investigado por corrupção.

Especialistas em administração pública alertam que, mesmo quando não há condenação definitiva, gestores públicos devem adotar cautela máxima ao contratar empresas sob investigação em esquemas de fraude, especialmente quando se trata de valores milionários.

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No caso de Terenos, o aumento do contrato para mais de R$ 19 milhões ocorre em um momento em que as investigações em Mato Grosso expõem um esquema que pode ter atingido mais de 100 prefeituras e câmaras municipais.

Investigados no esquema

Além de Edézio Correa, também são investigados:

  • Tayla Beatriz Silva Bueno Conceição

  • Roger Correa da Silva

  • Waldemar Gil Correa Barros

  • Eleide Maria Correa

  • Janio Correa da Silva

  • Karoline Quatti Moura

Entre os citados, apenas Karoline Quatti Moura não foi alvo de mandado de prisão na operação.

Levantamento em andamento

O site Pauta Diária iniciou um levantamento detalhado para identificar quanto prefeituras de Mato Grosso do Sul já pagaram ao grupo empresarial investigado.

A apuração busca mapear contratos firmados, valores pagos e possíveis vínculos com outras administrações municipais do estado.

Caso os números sigam a tendência observada em Mato Grosso, o escândalo pode revelar um rastro bilionário de recursos públicos que passaram pelas mãos do mesmo grupo empresarial, levantando dúvidas sobre a eficiência dos mecanismos de controle nas contratações públicas.

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