O Governo de Mato Grosso do Sul homologou nesta segunda-feira (27) uma licitação que prevê o gasto de R$ 86,1 milhões para o recapeamento de apenas 46,2 quilômetros da rodovia MS-295, entre os municípios de Iguatemi e Tacuru. O valor, publicado no Diário Oficial do Estado, desperta críticas e questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos e a transparência dos contratos de infraestrutura do Estado.
Segundo o aviso divulgado pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), a empresa vencedora do processo é a Concrenavi Concreto Usinado Naviraí Ltda., responsável pela “restauração do pavimento com melhoramentos para adequação da capacidade e segurança da rodovia”.
Apesar da justificativa técnica, o custo chama atenção: o investimento equivale a R$ 1,86 milhão por quilômetro — um valor considerado alto até mesmo para obras com padrão de reestruturação completa, incluindo drenagem, sinalização e acostamentos. Especialistas em infraestrutura apontam que, em média, o recapeamento simples de rodovias estaduais costuma variar entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por km, dependendo das condições da pista e do tipo de intervenção.
Além do montante, há questionamentos sobre o processo licitatório e a escolha da empresa. O contrato, financiado com recursos do BNDES, foi homologado sem ampla divulgação de detalhes técnicos do projeto executivo ou dos critérios utilizados para a definição dos custos. A falta de transparência alimenta suspeitas sobre possíveis sobrepreços e favorecimentos.
Moradores da região, que há anos enfrentam problemas de manutenção na MS-295, comemoram a promessa de melhorias, mas demonstram desconfiança. “A gente precisa da obra, mas todo mundo sabe que esses valores são absurdos. O governo sempre gasta muito e entrega pouco”, comentou um comerciante de Tacuru, que preferiu não se identificar.
Enquanto isso, o Governo do Estado segue anunciando novas obras de pavimentação e recapeamento, mas sem apresentar relatórios claros de custo-benefício ou auditorias independentes que atestem a eficiência dos investimentos.
Em um momento de restrição orçamentária e cobranças por mais transparência na aplicação de recursos, o gasto milionário na MS-295 reforça a percepção de que o poder público sul-mato-grossense continua priorizando grandes contratos — muitas vezes com pouca fiscalização — em detrimento de políticas que realmente garantam o bom uso do dinheiro público.





















