“Parque dos Bilionários”

Governo Mauro Mendes gasta R$ 6,1 milhões em estruturas provisórias para shows no “Parque dos Bilionários”

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Em meio a carências históricas em saúde, educação e infraestrutura básica em Mato Grosso, o governo estadual destinou R$ 6.154.000,00 em recursos públicos para a contratação de arquibancadas metálicas modulares e banheiros de contêiner provisórios destinados à realização de shows no Parque Novo Mato Grosso, empreendimento que já consumiu mais de R$ 2 bilhões do erário.

O parque, apelidado por críticos de “Parque dos Bilionários”, é administrado por grupos ligados ao agronegócio e tem sido alvo de questionamentos desde sua concepção, tanto pelo custo elevado quanto pelo modelo de gestão adotado.

Contratos milionários e estruturas temporárias

De acordo com contratos firmados pela MT Participações e Projetos S.A. (MTPar), estatal responsável pelas contratações, foram pagos:

  • R$ 5,2 milhões pela instalação de cinco arquibancadas metálicas modulares, cada uma com 49,5 metros de extensão e 12 degraus;

  • R$ 954 mil pela aquisição de seis módulos de banheiros em contêineres.

As estruturas são temporárias, utilizadas para eventos pontuais, como shows e apresentações artísticas, o que levanta questionamentos sobre o custo-benefício da operação. Ambos os contratos foram celebrados por procedimento simplificado, sem ampla concorrência pública, e financiados com recursos próprios da estatal, que também são oriundos do contribuinte.

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Prioridades sob questionamento

Especialistas em gestão pública e movimentos sociais criticam o gasto, classificando-o como desperdício de dinheiro público e exemplo de prioridades invertidas. Enquanto bairros de Cuiabá e cidades do interior enfrentam falta de leitos hospitalares, escolas precárias, estradas em más condições e ausência de saneamento básico, o governo opta por investir milhões em estruturas efêmeras voltadas ao entretenimento.

Para críticos, os eventos no parque funcionariam como uma tentativa de legitimar um projeto bilionário rejeitado por parte significativa da população, transformando shows em uma vitrine política para justificar investimentos considerados excessivos.

Símbolo de desigualdade

O Parque Novo Mato Grosso também tem sido apontado como símbolo de desigualdade social, ao concentrar grandes investimentos públicos em uma área de acesso restrito e pouco conectada às necessidades cotidianas da maioria da população. A alcunha “Parque dos Bilionários” reflete a percepção de que o espaço atende mais a interesses econômicos específicos do que ao uso popular amplo.

Falta de transparência e debate público

Até o momento, o governo Mauro Mendes não apresentou estudos detalhados que comprovem o retorno social dos gastos com estruturas temporárias nem explicou por que não optou por soluções mais econômicas, como locação ou parcerias privadas.

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Diante dos números, cresce a pressão por mais transparência, controle social e debate público sobre o uso dos recursos estaduais. Para muitos mato-grossenses, a pergunta permanece: é razoável gastar milhões em arquibancadas e banheiros provisórios enquanto serviços essenciais continuam precarizados?

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