O Ministério Público Estadual (MPE) solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a instauração de inquérito policial para investigar possíveis irregularidades no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG). O pedido inclui a apuração de eventual participação da prefeita Flávia Moretti (PL), embora, até o momento, não haja imputação formal conclusiva contra a gestora.
A solicitação foi protocolada pelo coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, com base em relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). O documento aponta indícios de crimes como peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas públicos.
As suspeitas tiveram origem em uma auditoria técnica realizada no sistema do DAE/VG em 21 de agosto de 2025. Segundo o relatório, foram identificadas inconsistências relevantes, incluindo divergências entre backups, falhas nos dados de faturamento e registros incomuns de cortes e religações de água em grande volume.
Um dos pontos destacados é a possível existência de “religações fantasmas”, que poderiam estar sendo utilizadas para justificar pagamentos indevidos de produtividade a servidores, com potencial desvio de recursos públicos.
Ainda conforme o documento, as investigações internas chegaram a ser iniciadas e comunicadas à Controladoria e à presidência do DAE, mas teriam sido interrompidas após mudança na gestão do órgão. O relatório também menciona medidas consideradas suspeitas, como a promoção de um servidor supostamente envolvido, a exoneração do denunciante e de outros funcionários, a demissão de mais de 30 terceirizados e o desmonte do setor de Tecnologia da Informação — ações que, segundo a denúncia, teriam caráter retaliatório.
Áudios e documentos sob análise
A apuração inclui ainda áudios e documentos digitais apreendidos, que não passaram por perícia até o momento. Segundo o Ministério Público, o material contém informações sensíveis sobre o funcionamento interno do DAE/VG.
Em algumas gravações, há menções de que a prefeita teria conhecimento das supostas irregularidades. O MPE, no entanto, ressalta que os conteúdos ainda precisam ser submetidos a análise técnica, com degravação oficial e verificação da cadeia de custódia.
Também foram relatadas supostas condutas intimidatórias atribuídas a um assessor administrativo-financeiro, além de referências, em áudios atribuídos a um procurador do órgão, a possíveis esquemas de corrupção interna. Entre os pontos citados estão pagamentos irregulares envolvendo empreiteiras, inconsistências no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e acesso indevido a informações sigilosas.
Pedido de investigação
Diante dos indícios, o Ministério Público pediu ao TJMT a abertura de inquérito policial para aprofundar as investigações. Entre as medidas solicitadas estão a realização de perícia nos arquivos digitais e áudios, oitiva de servidores e gestores e análise detalhada de contratos e sistemas do DAE/VG.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande informou que ainda não foi formalmente notificada sobre o caso. A administração municipal afirmou que atua com base nos princípios da legalidade, transparência e responsabilidade administrativa, e que está à disposição para colaborar com as autoridades.
Segundo o posicionamento, eventuais medidas serão adotadas somente após comunicação oficial. “Tão logo haja ciência de qualquer procedimento, os fatos serão devidamente analisados e todas as providências cabíveis serão tomadas dentro do devido processo legal”, diz trecho da nota.
A gestão municipal reforçou ainda o compromisso com a eficiência dos serviços públicos e a correta aplicação dos recursos em benefício da população.























