O mundo nunca foi quadrado, nem a terra plana. Por isto, dá voltas. Quem duvida, é só prestar atenção nas voltas que o poder vem dando em Campo Grande. São fatos reais, atualíssimos, mesmo com os ingredientes novelescos da política.
Em 2022, nas eleições presidenciais, a prefeita Adriane Lopes (PP) fez a campanha de seu candidato, Jair Bolsonaro, reverberando os ataques ao adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E mesmo depois da eleição, com o petista vitorioso, os bolsonaristas expressavam seu inconformismo com insinuações explosivas, uma delas colocando em dúvida a posse do vencedor.
Adriane fez coro com seus correligionários num dos bordões da época, sugerindo que Lula não subiria a rampa. Com a frase pós-eleitoral o bolsonarismo alimentava a esperança de que algo aconteceria para que o presidente eleito não tomasse posse do cargo, um ato simbolizado com a tradicional subida pela rampa do Palácio do Planalto.
Dois anos depois, em 2024, na disputa pela prefeitura de Campo Grande, Adriane disputou a reeleição fiel ao seu vínculo ideológico e político com Bolsonaro e aos discursos de oposição a Lula, ao PT e à esquerda. Ao pedir votos, usava em seus discursos estratégias verbais para seduzir o eleitorado, assumindo compromissos com obras mirabolantes e fazendo promessas que não iria cumprir, como a conclusão do Centro de Belas-Artes e a construção do Hospital Municipal.
O presidente Lula também era atacado pelo bolsonarismo, sem dó, nem piedade. Os discursos antilulistas eram sinceros, mas carregados pelo afã de atrair eleitores da extrema-direita, sobretudo os que acompanhavam outras candidaturas. Hoje, três meses depois, a reeleita e Adriane sequer iniciou qualquer obra fantasiosas que anunciou na mídia e prometeu nos palanques, reuniões de bairro e agendas oficiais transformadas em atos de campanha.
APROVAÇÃO DESPENCANDO – Evidentemente, a decepção dos eleitores com a gestão caótica e os compromissos não-cumpridos afetam a liderança da prefeita. Sua gestão está com os índices de aprovação despencando a cada dia, à medida que se agravam a quebra das finanças municipais e os desastrosos serviços públicos, especialmente em educação e saúde. E é neste momento, quando até aliados importantes passam a reclamar e alguns ameaçam abandonar o barco, que a prefeita encontra apoio exatamente no governo e na pessoa daquele que tanto demonizou.
Ao invés de retaliar ou agir com má vontade para fazer o contraponto aos ataques que sofreu, muitos com um ácido conteúdo fundamentalista, o presidente Lula acolheu decidida e espontânea os pedidos de socorro para a prefeita da capital sul-mato-grossense. Determinou a seus ministros que criassem condições emergenciais para as pautas de primeira necessidade, principalmente nos gargalos mais afetados da gestão adrianista, a educação e a saúde.
RESPOSTA RÁPIDA – Sem demora, o socorro começou a chegar. Para Adriane concluir seis Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e outra que estavam com as obras paralisadas, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) destinou à prefeitura R$ 20 milhões. O anúncio foi feito na Câmara Municipal pelo diretor do FNDE, Anderson Santos, e o deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB). Os recursos garantem a entrega das Emeis do Jardim Talismã; Jardim Colorado; Serraville; Jardim Nashville; Moreninha II; e Jardim Radialista, além da conclusão da Escola Municipal da Vila Nathália.
Para a saúde, e com a intermediação do deputado federal Vander Loubet (PT) junto ao presidente Lula, uma iniciativa já está definida. É a construção de uma política pública do Sistema Único de Saúde (SUS) que atenda as mães atípicas. O ajuste foi materializado pessoalmente junto ao ministro Alexandre Padilha, a quem Vander levou a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite de Melo. No encontro, que aconteceu no gabinete de Padilha, a conversa foi das mais animadas e produtivas, levando a assessora de Adriane Lopes a exultar nas redes sociais:
“Estamos no Ministério da Saúde com o querido ministro Alexandre Padilha e o deputado Vander Loubet, tentando agilizar e implementar algumas políticas em prol das mães atípicas. Sabemos da necessidade, não só das fraldas e das dietas, mas de uma política ampla, porque o aumento desta demanda é bem expressivo e nós precisamos da colaboração de todo o nosso Sistema Único de Saúde”, vibrou Rosana .
Vander salientou que a causa das mães atípicas é de primeira necessidade e faz parte da agenda de lutas dos vereadores petistas Luíza Ribeiro, Landmark Rios e Jean Ferreira. “A consciência e o programa do PT não sectarizam a ação política ou de governo. A prefeita tem sua escolha, seu partido, sua convicção. Mas ela é a autoridade máxima de um município com quase um milhão de habitantes e muitas demandas acumuladas”, disse.
INTERESSE PÚBLICO – Sobre as agressões verbais da prefeita a Lula, Vander considerou parte do jogo eleitoral e que cada um tem seu próprio comportamento. A seu ver, é essencial que todas as forças políticas, de governo ou oposição, se unam em favor da sociedade. “Isto é republicano, é interesse público. Não significa que seja preciso abrir mão das próprias ideologias ou das escolhas político-partidárias”.
Até à edição desta matéria, a prefeita Adriane Lopes não se havia manifestado sobre a ajuda providencial prestada por um presidente que, felizmente, subiu a rampa impulsionado pela vontade majoritária dos brasileiros e brasileiras.





















