Episódio ocorreu no Jardim Botafogo, em obra executada por empreiteira de Coronel Sapucaia
O vereador Wilton Celeste Candelorio, conhecido como Leinha (Avante), registrou um boletim de ocorrência na tarde desta quarta-feira (27) após relatar ter sido ameaçado durante uma fiscalização em uma obra de asfalto e drenagem na Rua Cascais, no Jardim Botafogo, em Campo Grande (MS).
Segundo o parlamentar, a vistoria terminou em discussão com o empreiteiro responsável pelos serviços, ocasião em que teria ocorrido uma ameaça de morte. O caso foi registrado no Centro Especializado de Polícia Integrada (Cepol), da Polícia Civil.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Leinha afirmou que foi agredido verbalmente ao questionar o atraso na execução da obra, que, segundo ele, estaria parada há meses e causando transtornos aos moradores da região.
“A empresa ganhou a licitação há uns sete ou oito meses e não saiu de uma rua até agora. Acabaram com a Rua da Divisão e com os arredores. Já são oito meses numa rua só”, afirmou o vereador.
A empresa citada é a A.S Construtora e Comércio LTDA, sediada em Coronel Sapucaia (MS). De acordo com Leinha, esta teria sido a terceira tentativa de diálogo com o responsável pela obra.
“Fui lá conversar numa boa. Todas as vezes ele já estava meio ríspido. Dessa vez ele já sabia que eu era vereador”, relatou.
O parlamentar disse ainda que moradores reclamam da demora na execução dos serviços e dos danos causados na região.
“Começaram a derrubar alguns muros dos vizinhos, e os moradores reclamando da obra parada. Precisava pelo menos que ele tivesse a boa fé de avisar que iria arrumar novamente”, disse.
Segundo Leinha, a situação se agravou durante a conversa no canteiro de obras.
“Ele veio falando que a gente era vagabundo, que vereador não presta. Mandou eu sair dali, dizendo que aquilo era dele. Eu disse que é área cedida da prefeitura, onde vai ser até uma praça que a gente conseguiu o recurso. Aí ele falou: ‘se você não sair agora, eu vou meter um tiro na sua cara’”, afirmou o vereador.
O parlamentar também questionou o andamento do contrato milionário firmado para execução das obras.
“Uma licitação de R$ 8 milhões que tem só dois tratores fazendo a obra e cinco peões para fazer uma obra que está praticamente parada há oito meses. Eles começaram a drenagem e abandonaram o resto. Tem buraco, caiu carro, caiu tudo aqui dentro”, declarou.
Além das críticas ao atraso, Leinha denunciou supostas condições precárias de trabalho no local.
“Tinham quatro pessoas trabalhando para ele, todos venezuelanos, trabalhando e morando dentro de um container, sem nada, escravo mesmo”, disse.

A reportagem questionou o vereador sobre a possibilidade de o atraso estar relacionado à falta de pagamento da Prefeitura de Campo Grande, hipótese negada por ele.
“Fui falar com a prefeitura e me disseram que está tudo pago. Amanhã devem me mandar os extratos”, afirmou.
O vereador informou que pretende acompanhar a apuração do caso e cobrar esclarecimentos sobre a execução da obra e possíveis irregularidades no serviço prestado no Jardim Botafogo e região.
Até a publicação desta matéria, a empresa citada não havia se manifestado sobre as acusações.




















