Medicina

“Mensalidade de R$ 20 mil, prova decisiva e medo de ficar para trás: revolta toma conta da Medicina da Uniderp”

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Com mensalidades que chegam a R$ 20 mil, estudantes denunciam mudanças no meio da formação e temem ficar sem acesso ao internato mesmo após aprovação nas disciplinas

Uma nova regra adotada pela Uniderp colocou os estudantes de Medicina em rota de colisão com a administração da universidade. Com mensalidades que podem chegar a R$ 20 mil, alunos afirmam que foram surpreendidos pela criação de uma avaliação que, segundo eles, pode impedir a progressão acadêmica e até bloquear o acesso ao internato médico.

O caso já chegou ao campo jurídico. Estudantes encaminharam uma notificação extrajudicial ao reitor da instituição, Cristiano Miranda Cupertino, cobrando explicações sobre a mudança e os fundamentos utilizados para aplicar as novas exigências.

O ponto mais polêmico é a chamada APPC (Avaliação de Progressão por Competências). Conforme relatado pelos estudantes, a avaliação seguirá moldes semelhantes aos do Enamed e exigirá nota mínima 7 para que o aluno consiga avançar no curso.

Na prática, segundo a notificação, um estudante poderia ser aprovado em todas as disciplinas, módulos, estágios e demais atividades previstas na grade curricular e, ainda assim, ficar retido caso não alcance a pontuação exigida na nova prova.

E é justamente aí que está o maior temor dos acadêmicos: ficar parado no curso e ser impedido de chegar ao internato.

Nova regra atinge quem já estava no curso

Os estudantes questionam ainda a aplicação das novas regras às turmas que já estavam matriculadas.

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Segundo eles, as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina, estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação em 2025, não autorizariam a aplicação indiscriminada das mudanças a alunos que ingressaram em anos anteriores.

Na interpretação apresentada pelos acadêmicos, as alterações deveriam atingir turmas abertas após a publicação das novas diretrizes.

Mesmo assim, os estudantes afirmam que foram informados pela coordenação de que a APPC passaria a fazer parte do processo de progressão acadêmica.

A mudança provocou revolta justamente porque muitos alunos já estão com sua trajetória acadêmica em andamento e afirmam que não tinham conhecimento prévio de que uma nova avaliação poderia se transformar em requisito para continuar avançando.

“Podemos pagar caro e mesmo assim ficar parados”

A preocupação ganha ainda mais peso diante do valor da formação.

Com mensalidades que podem chegar a R$ 20 mil, os estudantes questionam como ficará a situação financeira e acadêmica de quem eventualmente for impedido de avançar por não alcançar a nota estabelecida na APPC.

O temor é de que a retenção obrigue o aluno a permanecer por mais tempo pagando mensalidades, mesmo tendo sido aprovado nas demais etapas curriculares.

A notificação extrajudicial pede que a universidade apresente os documentos que deram sustentação à mudança, incluindo os fundamentos legais, acadêmicos e administrativos para a criação da avaliação e para a exigência da nota mínima.

Enamed virou o centro da tensão

Nos bastidores, estudantes também relacionam as mudanças ao desempenho da instituição no Enamed.

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Uma acadêmica afirmou que os alunos passaram a se sentir diretamente atingidos pelas consequências de problemas que, na visão deles, não deveriam ser transferidos para quem já está cursando Medicina.

“Estamos nos sentindo prejudicados; ficamos no olho do furacão depois que a universidade teve notas baixas no exame do Enamed, muitas mudanças no curso sem avisos prévios”, relatou.

A declaração resume o sentimento de parte dos estudantes: eles dizem que estão pagando uma mensalidade elevada, cumprindo as disciplinas e, no meio do caminho, se depararam com novas regras capazes de alterar completamente o planejamento da formação.

Protesto contra as mudanças

A reação saiu das salas de aula e ganhou as ruas.

Os estudantes marcaram para esta quarta-feira (12), às 8h30, uma manifestação em frente à universidade. O objetivo é pressionar a instituição a explicar publicamente as mudanças e esclarecer se a APPC poderá realmente impedir a progressão ou o acesso ao internato.

A mobilização também deve cobrar respostas sobre a aplicação das novas regras às turmas que já estavam matriculadas antes da publicação das novas diretrizes nacionais.

Universidade é cobrada por respostas

O espaço permanece aberto para manifestação.

Enquanto a universidade não esclarece os critérios, os estudantes prometem protestar. O que começou como uma mudança acadêmica agora ameaça se transformar em uma crise dentro de um dos cursos mais caros e disputados da instituição.

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