Rosana Leite de Melo deixou de ser secretária municipal de Saúde em Campo Grande porque, entre outras coisas, a prefeita Adriane Lopes (PP) precisava de um bode expiatório para fugir da sua responsabilidade pelo caos na rede pública do setor. Rosana era titular da Sesau desde 2024, foi exonerada no início deste mês e ao mesmo tempo contemplada com nova nomeação no escalão superior, tornando-se assessora executiva na Secretaria Especial da Casa Civil.
Enquanto não decide quem substituirá Rosana, a prefeita designou um Comitê Gestor, chefiado por Ivone Nahas, ex-servidora da prefeitura de Iguatemi. Nos bastidores, entretanto, começou a exalar um mau cheiro de armação ilimitada para garantir um substituto que comande uma das mais endinheiradas pastas municipais. Para se fazer uma ideia, o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Jader Vasconcelos, queixava-se da “surdez” política e institucional do Executivo e do Legislativo, que não ouviam as cobranças sobre o destino de R$ 156 milhões que teriam sido desviados da Sesau para outras finalidades.
COMBINAÇÃO – Enquanto vereadores, como o petista Landmark Rios, reclamavam informações e posicionamentos dos poderes sobre a questão, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Papy (PSDB), fazia nos bastidores o jogo combinado com a prefeita, a quem satisfaz todas as vontades. Diz-se nos corredores da Casa que lá só prosperam as iniciativas de interesse de Adriane Lopes e Papy. O exemplo inquestionável desta realidade está na ausência de atenção e de respostas aos questionamentos sobre os R$ 156 milhões, inclusive encaminhados pelo Conselho ao Ministério Público e ignorados pela dupla do PP-PSDB que chefia os poderes.
As armações, no entanto, não ficaram muito tempo reservadas ao subterrâneo dos gabinetes. Logo as máscaras foram caindo e o chamado “jogo marcado” se escancarou. Papy incentivava na surdina a demissão de Rosana para abrir caminho à nomeação de um aliado compatível com os desejos políticos seus e da prefeita.
Para não dar “bandeira”, citou os nomes de três médicos vereadores: Victor Rocha (PSDB), Lívio Leite (União) e Jamal Salem (MDB). O emedebista não se encaixa nos futuros planos de Adriane e Papy, contudo Lívio também não, e já Victor Rocha seriam opções a considerar. Mas faltava ainda o chamado “pulo do gato”.
E o protagonista está alinhado na conta dos tucanos de Papy , Segio de Paula e Ronaldo Azambuja: o William Maksoud Neto, que nas eleições de 2024 alcançou 3.597 votos e ficou de primeiro suplente. A primeira suplência, na cartada de Papy e Adriane, serve de passe livre para Maksoud Neto assumir uma cadeira na Câmara, na vaga do vereador médico tucano a ser nomeado secretário de Saúde para substituir Rosana Leite. Assim, para seguir fazendo as vontades da prefeita e com maioria absoluta para manter em suas quatro mãos o controle de um Legislativo que não fiscaliza o Executivo, Papy estabelece sua própria dinâmica de gestão na presidência.
























